O espetáculo era o mesmo para os crentes e os descrentes, mas cada um avalia à sua maneira. Essa é a dinâmica do esporte, Há quem lhe admire a arte e quem se ocupe de negar-lhe a importância. Quando as luzes se apagaram, ainda espiávamos por uma fresta, e um sentimento dramático de medo e expectativa tomou conta das arquibancadas do, até então, templo do futebol que, na noite de sexta-feira, serviu de palco para os deuses do olimpo. E aos poucos o ceticismo do começo cedeu lugar à admiração e à alegria tupiniquim, e os indiferentes foram chegando.

Todos nós experimentamos uma patriótica emoção ao fim da cerimônia de abertura da Rio 2016.

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Os adjetivos que já não cabiam mais no Maracanã, espocavam nos quatro cantos do mundo. As pessoas que compareceram talvez tenham chegado apreensivas, de má vontade, afinal, estávamos e ainda estamos carentes de nós mesmos, doentes até, apenas aguardávamos o golpe de misericórdia. Reacendemos, renascemos. Os que chegaram desconfiados, saíram clichês, de alma lavada, sorrisos largos e um coração orgulhoso de ser brasileiro.

O poder que emana do esporte excede à imaginação, transcende em valores, restaura, eleva. O Rio de Janeiro de antes tinha problemas enormes, estava afogado em críticas, transbordava decepção, mas, por 240 minutos, sob as bênçãos do Cristo Redentor, o Rio de Janeiro que continua lindo nos agraciou com um espetáculo de encher os olhos, com nossas músicas, nossas cores dando o tom ao maior espetáculo esportivo da Terra.

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O Rio de Janeiro permanece o mesmo, nossas feridas seguem expostas, mas, por um breve momento, o povo brasileiro se vestiu de novo de verde e amarelo.

Em um lembrete ostensivo de que podemos fazer e sermos mais, a cerimônia de abertura esfregou na nossa cara que, quem faz a diferença, somos nós. Esfregou na nossa cara que quem poderá nos reconduzir a um lugar de destaque, para lá do cenário esportivo, somos nós, o mesmo povo que se voluntariou e se dedicou para oferecer aos cinco continentes um grandioso espetáculo. Esfregou na nossa cara que nossas falhas em setores como o da economia, da saúde, educação e outros, é, em suma resultado das nossas omissões. 

Somos um povo resistente, com uma imensa capacidade de adaptação, talhados para o trabalho associativo que exige colaboração, superamos dois tempos extremos da nossa história – oprimidos, resistimos. Por tudo o que somos, por tudo o que fizemos e ainda pela festa que apresentamos ao mundo, não cabem mais desculpas, não cabe mais apenas apontar culpados. Arregaçar as mangas e dar uma trégua ao nosso pessimismo indizível é mais que necessário, é urgente. A mensagem do Comitê Olímpico Brasileiro foi clara, só poderemos viver o futuro que vislumbramos se, agora, nos unirmos em prol do nosso planeta. Para nós, brasileiros, a hora é de acreditar, recomeçar, recriar o espetáculo, fazer agora o #Brasil que queremos ver no futuro. #Olimpíadas #Rio2016