Eu adoro esportes. Todos que me conhecem sabem disso. Tenho para mim, inclusive, que ainda vou enveredar pelo jornalismo esportivo. Nos últimos dias, minha programação preferida, e acredito que também a de milhares de brasileiros, é acompanhar as #Olimpíadas do Rio. Não estou in loco, é verdade, não tive o privilégio de torcer nas arquibancadas e arenas olímpicas, mas tenho assistidos às competições pela TV e acompanhado as notícias sobre os jogos. Torço bastante pelo Brasil e também pelos ídolos de outros países. O esporte tem disso, alguns atletas transcendem a noção de pátria.

Mas o que me leva a escrever hoje não são os bons exemplos, não é o sentimento de orgulho.

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Eu não sei de vocês, mas eu não consigo comemorar a medalha do brasileiro Arthur Nory na ginástica artística. Ele ganhou o bronze na final do solo disputada agora à tarde. Eu olhava para a TV e não conseguia torcer por ele. Torci muito por Diego Hipólyto, que merecidamente alcançou a prata. Aliás, acredito que pela sua apresentação Diego poderia facilmente ter conquistado o primeiro lugar e a medalha de ouro. 

Acho que essa foi a primeira vez que não torci para que um atleta brasileiro chegasse ao pódio em alguma competição. Mas é que eu não consigo esquecer a atitude racista de Nory contra o também ginasta Ângelo Assumpção. Ângelo, um dos poucos ginastas negros da seleção brasileira, foi alvo de comentários preconceituosos proferidos por Nory e outros colegas da equipe. Inclusive, é decepcionante a atitude da Confederação Brasileira de Ginástica (CBG) perante o caso.

Após o episódio, a CBG proibiu Ângelo de comentar o caso e apenas suspendeu os ginastas racistas por 30 dias.

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Chegaram as Olimpíadas e qual a decisão da confederação? Convocar os ginastas brancos que cometeram #Racismo e não convocar o ginasta negro que sofreu as agressões. Detalhe: Ângelo Assumpção é medalhista de ouro da Copa do Mundo de Ginástica. O que levaria uma entidade esportiva a não convocar um campeão mundial?

É como se a suspensão tivesse sido forjada para que esquecêssemos o racismo de Artur Nory e cia. Mas nós não esquecemos. E nem queremos esquecer. Queremos, sim, que as atitudes mudem. Quem deveria ser barrado das Olimpíadas era Nory e não Ângelo.

Eu espero, sinceramente, que Arthur Nory amadureça e torne-se um homem de caráter. Mas eu não consigo torcer por ele. Eu não consigo comemorar a sua medalha. Ele não merce.  #Rio2016