A perícia feita pela #Polícia Federal em 2015, no celular do empreiteiro Marcelo Odebrecht, revelou trocas de mensagens feitas por ele, com diversos políticos.

Odebrecht, em suas anotações, utilizava siglas ao invés de nomes, no registro de transações quando se referia a algum político, trabalho árduo que Polícia Federal se debruçou para elucidar. Assim, no relatório da PF, temos (GA) como sendo (Geraldo Alckmin), (MT) como sendo (Michel Temer), (GM) como sendo  (Guido Mantega), (JS) como sendo (José Serra).

Agora, uma sigla e um nome que foi divulgado anteriormente pela própria Polícia Federal, chama a atenção, por estar sob tarja preta no relatório.

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É o nome de atual Ministro das Relações Exteriores do governo interino de Michel Temer, o tucano José Serra, na época governador de São Paulo.

O nome de Serra consta várias vezes do relatório da Polícia Federal, mas, para descobrir a sigla e o nome, é preciso apertar os botões CTRL + F e escrever o nome José Serra, então você será direcionado para os trechos do relatório em que o nome do político do PSDB aparece, claro, sob a tarja preta.

A explicação dada pela PF é que o nome de José Serra foi mantido sob sigilo, assim como o conteúdo das mensagens, porque os encontros entre ele e Marcelo Odebrecht, não foram encontros oficiais.

Essa explicação, porém, não é nem sensata, nem inteligente, principalmente em se tratando da Operação Lava Jato, símbolo maior do combate à corrupção de homens públicos e privados no país em todos os tempos, graças, é bom lembrar, menos à competência das nossas autoridades e mais à “deduragem” de alguns criminosos a seus companheiros.

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Ora, se a delação é o motor que impulsiona a investigação, o peso de encontros formais não pode ser maior que o peso de encontros informais, da delação em si mesma e dos documentos obtidos através da delação, portanto, qualquer declaração que fuja a esse padrão, não é somente vazia, é também suspeita e mais, por estar o nome tarjado, isso significa que houve ordens superiores para ocultá-lo, depois de já posto no relatório. Mas não pensaram no CTRL + F.

E não pensaram nas possíveis novas delações que poderiam corroborar a ligação de Serra com as polpudas propinas das empreiteiras.

Dito e feito. O nome de José Serra voltou à baila recentemente, aparecendo nos novos acordos de “deduragem” que estão sendo  negociados com as empreiteiras Odebrecht e OAS. Serão revelados nesses acordos, casos de propinas que ocorreram em obras públicas no período em que José Serra era governador de São Paulo, entre os anos de 2007 e 2010.

Segundo a delação que a OAS irá prestar, a empresa representada por Léo Pinheiro, ex-presidente, pagou propina a uma pessoa muito próxima de José Serra, que dizia falar em nome do então governador.

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A Odebrecht em sua delação; fará referência à propina paga quando da realização da obra do Rodoanel, em São Paulo, na gestão de Serra.

Procurado para dar explicações sobre as delações que estão por vir da Odebrecht e OAS, o agora Ministro das Relações Exteriores, José Serra, disse:  “Não cometi nenhuma irregularidade, tampouco autorizei terceiros a falar em meu nome".

Bem, ao menos a declaração do Ministro Serra é coerente com os demais réus da #Lava Jato: Todos são inocentes, até o momento de fazerem a própria delação, “entregarem” os companheiros e se livrarem da cadeia. Todavia, é possível que nesse imbróglio da Lava Jato onde fatos nebulosos se sucedem; algumas peças não venham a ser investigadas como deveriam e, então meus caros, tenham a certeza de que ainda não chegamos ao fundo do poço. #Dilma Rousseff