José Mauro de Oliveira Lima, de 42 anos, é mecânico e não possui formação escolar completa. Dia 27/07 foi atendido pelo médico Guilherme Capel Pasqua, plantonista no Hospital Santa Rosa de Lima, em Serra Negra (SP). Ao perguntar sobre o tratamento para pneumonia e sobre raio x ao médico, o mesmo caiu na gargalhada, isso porque José teria pronunciado as palavras de forma errada.  

O médico, não satisfeito com tamanho desrespeito, alguns minutos após o atendimento, resolveu postar nas redes sociais uma foto segurando um receituário onde estava escrito: “Não existe peleumonia e nem raôxis”. Na legenda da postagem, o texto que dizia: “Uma imagem fala mais que mil palavras”.

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Seu post gerou piadas entre seus amigos nas redes sociais. A postagem foi comentada pela recepcionista e pela enfermeira do hospital que zombaram não somente do paciente pobre, mas também da cidade.

O caso suscitou um repúdio social. E não podia ser diferente. Ninguém espera que um médico tenha um tratamento tão desumano. Espera-se que seja um profissional distinto e dedicado à questão da vida – uma profissão quase que sagrada. Contudo, a realidade não é bem assim. Sabemos que a maioria dos médicos vem de famílias de classe elitista. Não sofrem as mesmas mazelas sociais das classes mais humildes. Não compartilhando do mesmo sentimento niilista produzido pelo vazio discurso de progresso social.

Seria errado considerar que tal atitude é apenas um caso isolado. Mas o ocorrido torna evidente o legado do sistema capitalista.

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Onde a dignidade humana está reduzida a uma mera relação de dinheiro. O sistema de produção burguesa despiu as atividades que antes eram consideradas tão piedosas, que se configuravam como sagradas, que eram ovacionadas pelos humildes. Hoje, o médico é exclusivamente uma profissão elitista, que está sob uma relação de trabalhado assalariado. A saúde é um produto sob as regras do mercado. O ser humano a cada dia perde sua dignidade, se isolando em um relacionamento comercial, e se afasta do relacionamento social.

Para melhor ilustrar isso basta observamos o seguinte ocorrido. Um dos defensores do médico postou no Facebook um texto onde atacava, de forma racista, uma médica que supostamente teria denunciado o médico Guilherme. Na postagem, um sujeito identificado como Milton Pires, começa chamando a médica, que é negra, de “entidade”. Desmerecendo ainda as frases que Movimentos Negros se utilizam, tais como: “agora é a vez da senzala” e “a casa grande não admite”. Se aproveitando da crítica partidária para expor todo seu #Racismo.

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A médica em questão é especialista em família e comunidade. Ou seja, o que minimamente se opõe ao caráter da saúde enquanto pertencente a um nicho de mercado capitalista. É uma ponta da ressacralização da atividade médica. Uma defensora da dignidade dos mais humildes. Na foto, a qual foi postada pelo defensor de Guilherme, a médica está com uma blusa da cor vermelha, que para os militantes políticos representa a cor da luta. Além de estar de black power, símbolo da resistência negra. Agora sim alguém pode afirmar que “uma imagem vale mais que mil palavras”.