"Os homens passam, e as músicas ficam", a frase do cantor e compositor baiano Raul Seixas poderia definir muito bem qualquer matéria sobre o mito que ele foi e a obra riquíssima que deixou. Mas queremos retratar aqui a falta que faz fisicamente um grande líder pensante para uma juventude nos dias atuais. Renato Russo talvez tenha sido o último que se encaixa nessa linhagem, e no próximo mês de outubro estaremos contando vinte anos após a sua morte. Desde então, a #Música brasileira vem se tornando cada vez mais monossilábica e descartável. 

Tivemos no último mês de agosto uma polêmica, quando a cantora Anitta foi escolhida para participar da abertura dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro.

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Muitos questionaram nas redes sociais a qualidade musical da convidada, dizendo que ela não poderia representar a cultura da música brasileira pois oferecia apenas sensualidade e não conteúdo em suas músicas. Mas o que virou a música no Brasil nos últimos anos senão uma grande bunda? As músicas de maior sucesso nesse ano de 2016 foram "Tá tranquilo tá favorável", que repete o título da música algumas centenas de vezes ininterruptas, e o grande hit do carnaval "Metralhadora" que também dispensa maiores comentários. Nossos jovens trocaram o rock contestador pela música de balada dos "safadões" da vida.

Em um passado que está ficando cada vez mais distante, nossas músicas vinham em forma de poesia e procuravam retratar o nosso cotidiano. As coisas no Brasil não mudaram muito desde então e músicas como "Que país é esse", de Renato Russo, ainda são um retrato fiel de como é difícil viver em um país corrupto como o nosso.

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Raul Seixas chegou a colocar o Brasil para alugar em uma de suas músicas na década de 80, e proclamou a liberdade em plena ditadura militar com sua "Sociedade Alternativa". Essas músicas foram símbolos também dos protestos de junho de 2013, acompanhadas por "Ideologia" de Cazuza, outro grande ícone pensador de nossa música. 

Em meio a debates sobre o impeachment, corrupção e operação lava-jato, fomos obrigados a discutir política com nomes como "Tico Santa Cruz", que nunca teve em sua carreira a enorme influência que os outros citados tiveram sobre os jovens. No atual tempo do politicamente correto, em que debatemos o tempo todo questões como o preconceito e a homofobia, não temos mais as palavras de Renato Russo em forma de poesia e somos obrigados a engolir nomes como "Jean Wyllys" falando sobre o tema.

A verdade é que no caos que vivemos no Brasil do século XXI, não temos nomes que substituam os ídolos de #Opinião do passado. Hoje temos um  mercado de artistas sem conteúdo que são rodeados por assessores de imprensa. O que confirma uma outra frase de Raul: "A arte é o espelho social de uma época".