O corintiano que esbraveja e vê com ira a derrota de sábado deveria se acalmar e agradecer o ##Palmeiras. Tivesse o ##Corinthians perdido para outro adversário que não fosse o rival quase secular e provavelmente #Cristóvão Borges permaneceria por mais algum tempo à frente do Timão. E cometendo erros tão primários que permanecer na série A já seria um alento, e ir à Libertadores, sonho impossível. Não que dirigir um time esfacelado, com apenas um titular da campanha de 2015 (e jogando mal, como Cássio está jogando) seja fácil. Mas difícil, mesmo, é estragar um esquema de trabalho vencedor construído em quase uma década, como o técnico demitido no último sábado vinha fazendo.

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Vi com simpatia a escolha de Cristóvão Borges como o técnico que substituiria ##Tite no Corinthians. Defendi a opção por um profissional que manteria a filosofia vencedora implantada desde 2008. Mas o sinal amarelo acendeu quando li uma entrevista em que Cristóvão se queixava de #racismo, dando a entender que as sucessivas demissões e a consequente impossibilidade de levantar uma taça dirigindo um clube tivessem a ver com a cor de sua pele.

Ao contrário de Tite, Mano Menezes, Luxemburgo, Levir Culpi e outros, Borges não construiu sua carreira a partir do início em clubes desconhecidos no cenário nacional e trafegando em séries C, D ou sequer disputando competições nacionais. Ao contrário, quase sempre esteve à frente de clubes como Vasco, Flamengo, Fluminense e, de menor expressão, Bahia e Atlético-PR, ambos já campeões nacionais em outras temporadas.

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Curioso pensar como o racismo não o impediu de ser contratado para dirigir clubes de tamanha dimensão. No mundo corporativo, difícil imaginar que negros tenham tamanha facilidade para assumir cargos de direção em empresas de grande porte. Aí, sim, Cristóvão, o racismo, que existe, sim, no futebol, pega pesado. Mas vejo Roger sendo cotado –e defendido- para assumir o Corinthians. Com um detalhe: uma das características que o credenciam é o de ser um estudioso do futebol e defensor da filosofia de trabalho do atual técnico da seleção.

Este, sim, parece ser o grande diferencial dos melhores técnicos desta geração. O de unir o conhecimento empírico aprendido nos campos ao estudo das novas técnicas de treinamento e táticas de jogo. A disponibilidade de se sentar em uma sala de aula, travar conhecimento com outros treinadores mais capacitados, fazer intercâmbio, investir um pouco das centenas de milhares de reais ganhos mensalmente no aprendizado. E não agir apenas como um boleiro que passou do campo ao banco.

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 No futebol globalizado de hoje, preparo intelectual faz diferença, e a experiência tem de vir acompanhada de uma visão renovada constantemente. Em resumo, teoria e prática.

Assim, Cristóvão, separe um pouco dessa grana recebida da rescisão e invista em você mesmo, para não mais ser responsável por um time que, meses atrás, era impecável em fazer linhas de impedimento, e, sob seu comando, quase foi goleado pelo Palmeiras por não mais dominar este fundamento básico do futebol, cuja perfeição depende exclusivamente de trabalho de treinamento feito com competência.