Aproximam-se as #Eleições municipais e as denúncias apresentadas contra o ex-presidente Lula repercutem nacional e internacionalmente, e roubam a atenção dos eleitores. Especialistas discutem a forma como os procuradores apresentaram essas denúncias e, nesse campo, parece-nos que havia muito holofote para pouca gente. O espetáculo talvez tenha sido desnecessário, mas isso não é o bastante para passar um apagador no conteúdo do documento, este sim, repleto de indícios gravíssimos sobre a conduta política e moral do ex-presidente.

Não existem provas, dizem seus advogados e amigos, mas fica difícil acreditar, por exemplo, que a senhora Marisa Letícia se dispusesse a comandar a reforma de um apartamento que não fosse seu.

Publicidade
Publicidade

Junto a esse fato, outros se adicionam para confirmar a propriedade do imóvel, ainda que não possam ser apresentadas provas cabais de que Lula e sua mulher fossem os proprietários “no papel” do imóvel no Guarujá.

Além disso, no depósito onde eram guardadas as “tralhas" do ex-presidente, os pacotes estavam marcados com etiquetas - “praia" ou “sítio” - não podendo significar outra coisa senão Guarujá e Atibaia. Entendemos nós que não é necessário uma confissão por escrito para que todos os indícios juntos configurem uma prova. Isso porque só ladrão de galinha confessa. Como disse o procurador, “Isso é científico".

É evidente que o Ministério Público (MP) não apresentou a denúncia “de graça”. Existe um sentimento anti-#Corrupção que tem tomado vulto na consciência do brasileiro e que se reflete nas instituições, como o MP, cuja função é defender os interesses da sociedade.

Publicidade

Esse sentimento anti-corrupção não tem uma única dimensão, ele ultrapassa as questões éticas e se escancara na necessidade de neutralizar as consequências da corrupção sistêmica. Consequências que se tem visto em todas as esferas, profissional, educacional, econômica e pessoal.

Não é incomum, nos dias de hoje, presenciarmos situações em que a corrupção se mostra viva na ponta do sistema, nos balcões dos recepcionistas, nos porteiros dos prédios, nos guardas da esquina, nos guardas de trânsito, no contador, no professor, no médico, enfermeiro, onde quer que o “jeitinho" possa fazer mudar uma situação e trazer vantagens para o corrupto.

A corrupção está exposta, como uma fratura, e como tal precisa de uma cirurgia urgente. E ao mesmo tempo que cresce a avidez dos corruptos, e a exposição das nossas mazelas sociais, cresce também, o sentimento de oposição a ela, numa mesma intensidade, refletindo, como se disse acima, no #Comportamento da imprensa, do poder judiciário e da grande maioria das instituições democráticas.

Publicidade

Não é por outro motivo que se levanta no seio da população, de uma forma geralmente empírica, a intolerância aos comportamentos reprováveis, não só de políticos, mas de toda a estrutura social.

A má conduta dos políticos e de tantos outros profissionais, inclusive de profissionais concursados, se derrama sobre os pares de tal forma que fica difícil separar pureza e impureza, o joio do trigo. Emergem desse contexto os “justiceiros”, eleitos pela população e escolhidos como heróis para fazer a justiça que o povo clama. Isso tudo acontecendo em meio à propaganda política das eleições municipais, roubando o espaço e a atenção devida às propostas dos candidatos a prefeitos e vereadores. E mais do que isso, interferindo nas escolhas, pois a corrupção tingiu algumas marcas partidárias de forma mais intensa do que outras, como, por exemplo, o Partido dos Trabalhadores. Embora não seja o proprietário absoluto dos métodos espúrios, serão sem dúvida os candidatos do PT os menos escolhidos pelos eleitores nessas eleições.