Não existe ninguém tão mau que seja todo defeitos, nem tão bom que não lhe caiam suspeitas de nenhuma espécie. Mais ou menos isso foi o que disse Arnaldo Jabor sobre a personalidade de Eduardo Cunha. “A personalidade do Cunha vai muito além do bom e do ruim”, disse Jabor.

O "malvado favorito" como querem alcunhá-lo alguns em razão da sua utilidade indiscutível no impeachment da presidente Dilma, foi um caso de unanimidade quase absoluta. Amigos e inimigos jogaram pedras; mesmo aqueles que têm telhado de vidro e que correm riscos de uma represália, não pouparam o ex-presidente da Câmara dos Deputados de insultos de toda ordem.

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Seus “pares" não só nos assentos do Parlamento mas, e principalmente, na malandragem, nas mentiras, no enriquecimento ilícito, fizeram coro acusando-o da #Corrupção com a qual muitos colaboraram e se cumpliciaram.

Os correligionários da Dilma e do #Lula mostraram uma grande alegria com a “vingança”, embora a chamem de “justiça”. Mas não é bem de justiça que se trata. É impossível fazer omelete sem quebrar os ovos, o que significa que para lavar o #Brasil das nossas impurezas, algumas vidas serão ceifadas. O Cunha foi uma delas, e outras virão.

Nem bem se passaram quarenta e oito horas e novas denúncias, agora contra o líder maior do Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, deixaram os petistas em polvorosa. Denúncias muito graves, porém previsíveis, foram expostas diante de todos.

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Previsíveis tanto para os amigos como para os inimigos do denunciado. Os primeiros querem passar a ideia de que não existem provas contra o ex-presidente e que as denúncias são ditadas pelo ódio das elites, considerando que tudo faz parte do mesmo “golpe” que afastou a Dilma da presidência. Os demais, viram nas acusações do MPF uma comprovação de que Lula comandava as ações para saquear a Petrobras além de outros crimes.

O fato é que, como se disse antes, ninguém é tão mau nem tão bonzinho. O Lula, com todo o carisma que possui, não é, definitivamente, uma figura impoluta como querem seus fieis seguidores. Amigo íntimo de quase todas as pessoas acusadas de corrupção pela operação Lava Jato, líder político dos petistas denunciados, condenados e alguns, inclusive confessos, ninguém com um mínimo de massa cinzenta pode acreditar que seja inocente.

Nas ruas, nas salas de aula, em todos os cantos e recantos desta Nação tão vilipendiada, pessoas se sentem com a alma lavada e acreditam que as mudanças esperadas para transformar o Brasil num país de respeito, passam pela coragem, perseverança e até, pode-se dizer, teimosia, desses jovens que representam o Ministério Público Federal. Ainda que nem sempre a justiça aja com imparcialidade, ainda que algumas vezes a Constituição da República tenha sofrido arranhões, ainda que alguns sofrimentos tenham que ser impostos, o Brasil começa a vislumbrar a luz no final do túnel. Enfim, é impossível fazer omelete sem quebrar alguns ovos.