O sentimento do eleitor de que está sozinho, e que a classe política é uma reunião de indivíduos ligados por seus próprios interesses, que normalmente se desvinculam do que a população anseia, fica a cada mais claro. O dia em que a Câmara de Deputados expôs suas entranhas perante toda uma plateia incrédula ao constatar a falta de preparo e uma postura de quem pouco está se incomodando com quem esteja fora de seus círculos familiares e/ou ideológicos, foi um marco. O impeachment de Dilma seguiu para o Senado, e lá, outro sinal claro de que somos nós contra eles, ficou evidente.

A declaração de #Lula, dada a um público ávido por suas explicações após a exposição feita pelo Ministério Público Federal (MPF) ligando-o ao esquema de corrupção investigado pela operação Lava Jato, foi, de forma torta, uma legenda para a foto, amplamente divulgada no dia do impeachment de Dilma, em que ela, José Eduardo Cardozo, Ricardo Lewandowski e Aécio Neves riem descontraidamente em um momento crucial para a sorte da ex-presidente.

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Ao comparar políticos e concursados, desmerecendo estes últimos e enaltecendo os primeiros, Lula deixou claro o que a população enxergou na postura de personagens que, em um senso comum, estariam em campos opostos nas contendas políticas que abreviaram o mandato de Dilma. Ela, seu adversário derrotado nas urnas, o ministro condutor da sessão que julgou no Senado o pedido de impeachment –e o aprovou- e seu advogado de defesa pareciam pouco preocupados com as consequências daquele 31 de agosto. E, duas semanas mais tarde, Lula arrematou. Colocando-se em defesa da classe política em detrimento de servidores que passaram dias, meses e até anos estudando para ingressar no serviço público, deixou claro que, realmente, políticos se sentem em outra categoria, distanciados da população comum e, claro, merecedores de benesses e uma condição superior a quem apenas “se forma na universidade, faz um concurso e tá (sic) com um emprego garantido para o resto da vida".

Apesar de saírem às ruas para pedir votos, assim que os conseguem e são eleitos, rapidamente se desincumbem desta tarefa inglória, e, entre conchavos e coligações, colocam-se à vontade entre iguais, partilhando dos mesmos ideais que, normalmente, estão longe dos anseios da população.

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Lula e os personagens da foto apenas tornaram evidente o que todo mundo já sabia: políticos, de forma geral, só se lembram da população no momento humilhante de ter de pedir voto a quem julgam inferiores a si mesmos. Encontrar a exceção a esta regra é a tarefa difícil à qual estaremos condenados neste domingo de eleição. Por isso, entendo perfeitamente quem opta por votar nulo.   #Eleições #Dilma Rousseff