Segundo pesquisa divulgada nesta quarta, dia 21, 1 em cada 3 brasileiros acreditam que a mulher é responsável pelo #Estupro por conta de seu comportamento. Realizado pela Datafolha a pedido do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o resultado do estudo é preocupante, apesar de não ser necessariamente uma surpresa: 42% dos homens entrevistados e 32% das mulheres acham que não são estupradas as mulheres que "se dão ao respeito". Apesar disso, 91% dos participantes concordam que é preciso, nas escolas, ensinar os meninos a não estuprar.

Por um lado, o questionamento da integridade da vítima permanece - e, segundo os condutores da pesquisa, é uma tendência que predomina entre os entrevistados mais velhos -, por outro, a realização de um estudo como esse e o fato de a maioria absoluta enxergar na educação um caminho para a prevenção, mostra a potencialidade do tema quando é discutido amplamente - algo que temos presenciado em reação a casos diversos de #Violência sexual.

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Enquanto 85% das mulheres afirmam ter medo de sofrer agressão de cunho sexual, 30% das pessoas concorda que as mulheres que usam roupas provocativas não têm o direito de reclamar se forem estupradas, como se a estética ou o comportamento que adotam estivesse entre as causas da própria violência que sofrem.

A pesquisa engloba ainda a descrença da população quanto à preparação dos policiais militares e civis para lidar com as vítimas, além do descontentamento com um sistema legal que não pune devidamente os que cometem os crimes. Com a publicação, foi lançada a campanha #APolíciaPrecisaFalarSobreEstupro, visando à melhora do atendimento às pessoas que sofrem estupro e ao incentivo para que as instituições se empenhem na capacitação de seus oficiais, uma necessidade urgente.

Em termos gerais, a sociedade ocidental ainda se mostra tolerante à violência sexual, fruto de um discurso predominantemente machista que não apenas oprime a mulher, mas também pressiona o comportamento masculino a se adequar a um ideal dominante e a demonstrar virilidade para fazer parte do grupo de "homens de verdade".

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É nesse contexto que precisamos insistir no estupro não como uma manifestação de desejo sexual, mas como forma de exercer e reforçar o poder sobre o sujeito mais frágil - na maior parte das vezes, a mulher cis ou trans, mas também homens franzinos, efeminados ou que apresentem alguma vulnerabilidade.  #machismo