Enquanto na década de 1960/1970 a experiência do prazer através do corpo conquistado, o afeto e o conforto encontrado no parceiro(a) foi uma forma de substituição ao encontro de almas ou metade a ser encontrada, no romantismo presente na filosofia clássica, o #Amor partia do princípio da necessidade. Na internet, textos românticos são compartilhados tanto quanto fotos de cachorros. O amor tornou-se algo medido e satisfatório em caracteres e/ou pixels.

O dramaturgo grego Aristófanes resumiu o poder do deus Eros – nosso conhecido cupido - em cortar os seres humanos ao meio e fazê-los passar a vida procurando pela sua metade perdida.

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No amor contemporâneo, a metade pode ser encontrada medindo os níveis de compatibilidade, musical ou cinéfila. A comunicação e os media mudaram a forma dos seres humanos se relacionarem, alteraram a história do amor.

Sócrates, filósofo do período clássico, afirmou ser o sentimento uma carência. A ausência daquilo que faz falta para o ser. Pensando no acesso veloz da troca de informações em redes sociais, a solidão e a sensibilidade não são permitidos. Há uma dependência das pessoas aos seus smartphones e redes de WIFI, porque estar a sós consigo incomoda.

No mito dos seres andróginos, relatado por Aristófanes, quando os dois seres encontram as suas metades, param no tempo e vivem um para o outro. Eles ficam agarrados, buscam a saciedade descontroladamente. Então, param de cuidar das suas vidas, querem viver de um sentimento tão fugaz e acabam por morrer de amor, acoplados.

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Quando um laço é rompido gera um desejo intenso de necessidade porque foi projetado no outro aquilo que o preenche.

Pensamento contemporâneo: O amor líquido

Zygmunt Bauman em sua obra Amor Líquido, aborda a vulnerabilidade e fragilidade nas relações humanas. É difícil suportar, em um mundo repleto de desejos a serem saciados com um simples toque, a leveza e naturalidade das relações. Quando o amor atinge o seu ápice, encontra sua derrota.

Diante da dedicação e necessidade no relacionamento é impossível enxergar que as mesmas mãos hoje predispostas ao carinho, podem esmagar num futuro não tão distante. O desejo de consumir e possuir, acaba por fazê-lo se autodestruir e aniquilar o sentimento.

Não quer dizer que o sentimento esteja em constante degradação, mas é relevante observar a transformação da sua dimensão com o passar dos tempos e a influência dos media nos relacionamentos humanos. #RelaçõesHumanas #Opinião