Um dos maiores desafios que encontramos em nossa existência, reside  no conflito interior, que somos confrontados constantemente, quando contrariados em nossas vontades, ou seja, o desafio de vencer a si mesmo.

Cada medalhista encontrou a sua medalha na luta com seus limites interiores. Todos sem exceção são medalhistas, pois de alguma maneira ultrapassaram seus pontos frágeis, vencendo a dor e a vitimização, chegando ao lugar que ninguém mais pode chegar que é a certeza de estar no lugar certo, no seu particular momento.

Cada medalhista e competidores foram dignos de profunda admiração, pois independente se foi uma Olimpíada, ou paralimpíada, motivou a todos os que acompanharam a entender que o limite existe apenas dentro de nós e cabe a cada um lançar-se ao desafio.

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Os jogos olímpicos mostraram, o quanto é importante, a existência de seres humanos que fazem alguma coisa além daquilo que é comum. Isso nos estimula a desejar ultrapassar os limites e lutar contra a prostração do dia-a-dia.

Espero que o espírito das olimpíadas consiga algo que transcenda o momento Olímpico, sendo um agente terapêutico, em relação à violência urbana, pois estamos vivendo em uma sociedade desprovida de gentileza, onde o trânsito, as filas de banco e supermercados, escondem cidadãos comuns, que em um simples olhar atravessado, suscita o desejo de apagar o próximo, de sua existência terrena.

Não importa se pai de família, ou bom empregado, nesta hora demonstra um destempero violento, levando a questionar a verdadeira identidade, quando tem a sua autoestima abalada. Coisas insignificantes se tornam verdadeiros estímulos, quando essas pessoas estão fora da geografia que se mostram adequadas, em comportamento.

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Creio que o medalhista verdadeiro é aquele que consegue atravessar os tatames da vida, sem ser necessário demonstrar seus conhecimentos marciais. Quando consegue correr em sua própria raia, sem a necessidade de uma chegada onde alguém vai ser perdedor, pois em sua corrida é um colaborador e cooperador daqueles que estão na mesma disputa, que é viver com honra e dignidade e poder voltar ileso, todos os dias para as suas casas.

Creio que quando nossa sociedade conseguir vencer a luta interior entre ser e ter, amar e odiar, talvez nos enfureçamos menos e passemos a sorrir mais com as vitórias alheias e a entender que o ódio, a ira e a traição, não podem ser objetos de um coração que em um momento se alegra com alguém que o representa em um estádio e no outro fere sem nenhum pudor o mesmo semelhante, que o frustra por torcer por outro time, partido político, ter opção sexual diferente, ou confessar outra religião.

Precisamos deixar a cultura da autoestima abalada e jogar água em tudo que nos faça esquecer que somos em primeiro lugar seres humanos.

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Agindo fora de casa da mesma forma que agimos em nossos momentos de confraternização entre amigos, desejosos que os estranhos que estão chegando, sejam um novo parceiro, quer seja de copo, de torcida, de baralho, de religião, ou de apenas um despretensioso bate-papo. #paralimpìadas #medalha olimpica #Rio2016