Inicialmente gostaria de questionar o motivo da existência do programa de #Cotas, questionamento esse que muitos de seus defensores não sabem responder satisfatoriamente. A ideia que se tem genericamente é a que diz que o programa foi criado para diminuir a diferença entre os indivíduos de grande poder aquisitivo e os cidadãos de baixa renda no ingresso ao ensino superior.

Outro pensamento bastante recorrente é o que indica uma compensação histórica aos negros pelo seu passado de escravidão, apesar disso, nosso atual sistema de cotas que só visa a cor da pele em seus critérios não responde bem a nenhuma dessas ideias, e além de não atenuar os problemas existentes, serve ainda como privilégio para um grupo seleto que as utiliza mesmo sem necessitar, ora, se nós analisarmos com frieza, que desvantagem a cor da pele de um indivíduo pode oferecer em um concurso acadêmico onde apenas a sua inteligência é avaliada? Nenhuma! Não estou de forma alguma defendendo que todos estão em níveis equiparados de nutrição intelectual e cultural, estou apenas afirmando que essas condições independem da cor da pele do indivíduo, e que essas diferenças estão diretamente ligadas a fatores muito importantes que estão sendo esquecidos pelo nosso atual sistema.

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É muito comum ouvir defensores de cotas raciais proferindo discursos que dizem que as cotas suavizam as diferenças entre aqueles que estudaram em escolas de alto padrão e os que estudaram nas sucateadas escolas públicas do nosso país, entre aqueles que dedicam o seu tempo apenas aos estudos e aqueles que precisam fazer dupla jornada para se manter em condições de sobrevivência, entre aqueles que têm veículos próprios e que, em função deles, ganham tempo em seus trajetos e aqueles que perdem horas nos transportes coletivos antes de chegarem aos seus respectivos destinos, porém, mais uma vez, saliento que isso não está ligado a uma raça ou etnia especificamente.

Esses problemas são crônicos e atingem pessoas das mais diversas raças, cores, religiões e ideologias. A base do problema é socioeconômica, e deve ser combatida como tal, ou será que não existem brancos pobres? E o que dizer de tantos negros que vivem confortavelmente nas altas classes da sociedade? O problema dessa atual gestão de cotas é que, seguindo seus parâmetros, um negro de alto poder aquisitivo pode se utilizar das cotas raciais para ingressar em uma instituição de ensino superior, enquanto que, um branco de baixa renda, que enfrenta todos os problemas diários das classes "D" e "E" não, dificultando assim ainda mais sua inserção na academia.

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Como o nosso atual modelo age nessa situação? Reduzindo as desigualdades ou contribuindo ainda mais para elas? Quem nessa situação mais precisaria das cotas? Peço que os senhores pausem a leitura por 5 minutos e reflitam calmamente sobre esse pensamento.

Gostaria de ressaltar que também não existe necessidade de compensação histórica retroativa, se fosse assim, os ditos "brancos" deveriam ter vantagens desportivas no Basquete, Futebol, Golfe, Boxe, Atletismo e tantos outros esportes, visto que os maiores desportistas de todos os tempos são negros, como são os casos de Michael Jordan, Pelé, Tiger Woods, Muhammad Ali, Usain Bolt e diversos outros, porém, você, com certeza, acharia injusto dar vantagem a um branco em uma competição por causa de um atleta negro que já não compete mais, qual vantagem o atleta negro contemporâneo carrega? Independente do que aconteceu no passado, não estão ambos hoje em situação aparentemente igualitária? Por essas e outras razões, caros leitores, eu prefiro apoiar a alteração do nosso sistema de cotas, transferindo-as daqueles que têm determinada cor de pele, como se pratica atualmente, para aqueles que tem comprovadas dificuldades socioeconômicas, dessa forma nós atingiríamos quem mais necessita, reduziríamos de fato as desigualdades e todos aqueles que precisassem do programa de cotas seriam por ele atendidos de forma igualitária, inclusive, os próprios negros.

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#Opinião #Racismo