Estudantes liderados pela Associação dos Estudantes do Estado do #Rio de Janeiro (AERJ) faziam, na tarde da última terça-feira, 13 de setembro, um protesto pacífico, no qual reivindicavam pela educação Municipal de Cabo Frio, pelo pagamento dos salários dos professores, bem como, de forma geral, pela saúde e educação públicas, universais e de qualidade, do Governo do Estado do Rio de Janeiro, o qual, através da Polícia Militar (sempre ela), respondeu às reivindicações com violência.

Os estudantes ocuparam, em protesto, a Ponte Feliciano Sodré, que liga o Centro aos bairros da periferia de Cabo Frio, e no momento que iriam liberá-la para o fluxo de veículos, um policial atacou o líder estudantil Ruan Vidal, enforcando-o.

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Tal atitude iniciou um tumulto e Ruan foi imediatamente acudido por outra liderança, Cleber Rodrigues, que também acabou agredido pelos policiais sob alegação de estar “roubando o preso”… - desculpem a sinceridade, mas para nós quem rouba são certos políticos que desviam dinheiro da merenda e não pagam o salário aos servidores.

Os jovens foram encaminhados para a delegacia, onde prestaram depoimento, acompanhados por advogados do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação, SEPE, sendo liberados no início da noite. 

Estudantes estão indignados com o caso

Ruan, sobre o caso, declarou em sua conta no Facebook que “Depois de sermos algemados, machucados, levar um mata Leão e sermos jogados na viatura como criminosos por apenas lutar por nossos direitos, eu e o companheiro Cleber já estamos bem.

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Saímos da delegacia com a ajuda de advogados do sindicato e estamos livres pra poder continuar a denunciar o que esse sistema Faz com quem tenta lutar por justiça. Muito obrigado a todos que apoiaram na delegacia ou no Facebook, isso nos emula muito no caminho certo! Lutar não é crime!”

Cleber, por sua vez, afirmou "E eu gostaria de ressaltar que nem eu, nem o Ruan, estávamos desviando verba, tirando dinheiro de quem não tem, fechando escola, deixando de pagar servidor ou precarizando serviços públicos para sermos taxados de bandidos. Nós estávamos lutando pelos direitos do povo, o direito de estudar, de ter acesso a saúde pública, de terem os seus salários para botar comida no prato de seus filhos e filhas. E esse é o verdadeiro motivo de levarem a gente, pois quem busca mudança nessa sociedade, recebe esse tipo de tratamento. Enquanto quem pinta e borda montado nas costas do povo, é protegido pela mesma polícia que nos oprime. E se acham que a gente vai parar por aqui, estão muito enganados."

Reivindicar não é crime, é um direito

A luta desses jovens estudantes é para que a escola pública atenda a todos com dignidade, seja o filho do pedreiro, do lojista, da enfermeira e até do próprio policial que perpetrou tal ato infundado de violência.

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Infelizmente, a polícia, em vez de proteger a população, atua muitas vezes como agente político, na defesa dos interesses pessoais e partidários dos gestores da máquina pública esquecendo que eles próprios são (deveriam ser) servidores públicos na real acepção da palavra, ou seja, servindo ao interesse público e a sociedade como um todo, não a interesses privados inconfessáveis.

A arbitrariedade sofrida pelos jovens Ruan e Cleber da AERJ é reflexo de uma cultura de intolerância quanto a manifestações populares por parte do Estado e de seus aparatos repressivos. O "tiro, porrada e bomba" utilizado contra estudantes e trabalhadores, desrespeita o princípio constitucional da livre manifestação e deve ser banido da vida #Política brasileira. Reivindicação não é caso de polícia, desrespeito com o cidadão é que deveria ser. #Protestos no Brasil