Muitos pensam na paralímpiada e dizem: “Coitadinhos”, mas os atletas não querem a minha, a sua ou a nossa pena, eles querem mostrar suas capacidades, que vão muito além do que a estética ou os nossos olhos apresentam. Entretanto, sempre tem pessoas “perfeitas demais” e prontas para tentar tirar o brilho e superação de quem busca seu lugar ao sol.

Nos últimos dias, dois portugueses geraram grande polêmica, sobretudo no Brasil e em Portugal. Eles criticaram a competição. Não criticaram com algo do tipo: “Eu não curto esportes”. Eles criticaram de maneira cruel, tentando reduzir aqueles homens e mulheres que lutam para se superar, mas como diz o ditado, “o tiro saiu pela culatra”.

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Tudo começou quando o jornalista português, Joaquim Vieira, decidiu expressar que considera os jogos paralímpicos apenas um circo ou um espetáculo grotesco. Quatro dias após sua publicação, ele retorna ao seu perfil do Facebook e faz uma espécie de “nota de esclarecimento”.

Em um longo texto, ele pede desculpas caso tenha ofendido a sensibilidade de alguém, mas em seguida, destrói o próprio pedido de desculpas e diz, dentre outras coisas, que jogos olímpicos só existe um que visa premiar os melhores da raça humana, bem como não consegue entender para que serve os jogos paralímpicos. Por fim, fecha com “chave de ouro” sua manifestação de #Preconceito dizendo que não existe Usain Bolt nem o Mark Phelps na competição paralímpica.

De fato, não existe Bolt ou Phelps na paralímpiada, pois caso Joaquim e seus apoiadores não tenha notado, as pessoas são únicas e nenhum atleta olímpico ou paralimpíco quer ser alguém que já exista, mas querem ser eles mesmos, não por pena, mas por mérito.

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Um outro português, Rui de Carvalho, mostrou para Joaquim que ele não está sozinho em seu mundo de “perfeição”. Citando várias comparações, Rui ainda disse que existem pessoas que se divertem vendo “coxos” correndo. E ainda diz não entender porque não “espetam uma espada” em suas costas quando atingem a linha de chegada. Assim que começaram as primeiras críticas, ele bloqueou os comentários de terceiros, mantendo apenas os de seus amigos. Joaquim comentou na publicação de Rui: “Você não sabe no que se meteu, boa sorte”

A expressão é livre, tanto no Brasil, quanto em Portugal. Possuímos normativas e culturas distintas e até nosso idioma é estranhamente igual, porém diferente, mas em todas as línguas podemos compreender a maldade de um ser humano diante dos outros.

Claro que a postura desses senhores não tira o mérito e capacidade dos atletas paralimpícos ou de qualquer portador de deficiência deste ou daquele país. Mas uma coisa é certa: algumas pessoas se esquecem que o dia de amanhã, somente a Deus pertence e não sabemos se essa “perfeição” continuará nos tornando tão “superiores” e ao mesmo tempo tão pequenos e mesquinhos pelo resto da vida.

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É lamentável a situação, principalmente ao ver que Vieira possui uma foto com as cores do movimento LGBT em seu perfil e ainda assim expressa opiniões tão preconceituosas. Aos atletas, meus parabéns! Deve ser muito difícil ser vencedor em um mundo onde quem não chega no pódio, tenta apagar o brilho da vitória alheia! E esse espetáculo não é grotesco, ele é um exemplo de superação e determinação para quem anda “pra baixo” ou tem acreditado que não é capaz. Feliz daquele que perceber isso!

#rio 2016 #paralimpiada