Há uma lenda circulando pelas redes sociais e desinformado parte do eleitorado que acredita em tudo que lê no Facebook. Segundo esta lenda, se mais de 50% dos eleitores anularem seus votos digitando na urna eletrônica o número 000, a eleição será cancelada. E mais: todos os candidatos que estão concorrendo ficarão inelegíveis, tendo que ser substituídos por outros. Claro que tudo não passa de boato. 

Voto nulo ou branco

Poucas pessoas sabem a diferença do #voto nulo para o branco. De fato, não há nenhuma. Segundo o Glossário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando o eleitor vota em branco está afirmando que não tem preferência por nenhum dos concorrentes.

Publicidade
Publicidade

Ou seja, tanto faz quem vencer. Quando vota nulo está simplesmente anulando seu voto.

Antigamente, o voto era anulado se houvesse qualquer marcação estranha na cédula de votação ou o voto não pudesse ser claramente identificado. Quando o eleitor deixava a cédula sem preenchimento, era um #voto branco.

Ambos são considerados inválidos e a eleição é definida pelos votos válidos – aqueles que foram dados a algum candidato. Para votar nulo, o eleitor tem que digitar qualquer número que não seja de algum candidato. Como hoje há mais partidos que grãos de areia na praia, você corre o risco de digitar um número qualquer e aparecer a cara de alguém na tela da urna eletrônica. O voto branco é facilitado: tem uma tecla própria para isso.

Lendas

Uma lenda antiga que paira sobre o processo eleitoral é a de que os votos brancos e nulos vão para o candidato que está ganhando.

Publicidade

Já foi quase assim. O site do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES) explica que o voto branco já foi computado como válido em um passado distante e era “dado” ao candidato mais votado. Hoje não. Tanto o voto nulo, quanto o branco não vão para ninguém.

E se 98% dos eleitores anularem? Serão computados apenas os 2% que votaram em alguém e um candidato será eleito. Claro que poderia haver, a partir daí, alguma mudança.

Números

Imagine que uma cidade tenha 100 eleitores. No dia da votação, o candidato X soma 35 votos, o Y alcança 15 e o Z tem 10. Ou seja, o líder tem 35% dos votos totais, contra 15% do segundo colocado e 10% do terceiro. Haverá segundo turno. Só que os 40 votos restantes foram nulos ou brancos. Aí o cenário muda totalmente.

A porcentagem de votos dos candidatos será feita sobre 60 e não mais sobre 100. Com isso, o candidato X conseguiu mais de 50% dos votos válidos e está eleito sem a necessidade do segundo turno. Obviamente que isso é só um exemplo e que só há segundo turno em cidades com mais de 200 mil eleitores.

Publicidade

Em quem votar?

Como visto no exemplo acima, só haverá alguma interferência no pleito nessa questão envolvendo segundo turno. Portanto, se você pretende anular, mas também não quer que o político X seja eleito ainda no primeiro turno, votar no Y ou no Z seria a opção.

Há quem critique o voto branco ou nulo. Há quem diga o absurdo de que se você fez isso, não deve reclamar depois. É bom deixar claro que o candidato eleito vai governar para todos e não só para quem votou nele e, se você acha que nenhum candidato presta, para que desperdiçar seu voto, não é mesmo? O ideal seria que o voto não fosse obrigatório, mas aí já é outra história. #Eleições 2016