Em West Yorkshire, Inglaterra, no dia 28 de setembro, a mãe de Asad Khan encontrou seu filho inconsciente no quarto: o garoto de apenas 11 anos havia se enforcado. Apesar de ter recebido socorro de paramédicos, Khan não resistiu e morreu instantes depois de chegar ao hospital. Segundo a mãe, ele reclamava por ser vítima de #bullying na nova escola, a qual frequentava havia apenas três semanas.

Em janeiro, na França, Émilie, de 17 anos, tirou sua vida e teve partes de seu diário divulgadas pela imprensa do país. Ela sofria com as provocações, verbais e físicas, desde os 13 anos por não ser "descolada" o suficiente, tornando-se uma pessoa introspectiva e isolada. Depois de tentar outras escolas e até o ensino à distância, ela acabou desenvolvendo uma fobia das instituições e deixou os estudos.

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Para seus pais, o bullying foi o principal responsável pela depressão da adolescente, culminando em seu #Suicídio.

O caso desses jovens, como tantos outros, reflete uma dura realidade que não é nova: apesar de o termo ter sido cunhado recentemente, a intimidação e as provocações recorrentes motivadas por uma cultura de competitividade e intolerância ao diferente são fatores praticamente históricos - bobos da corte usavam do humor e da imitação para expor os "estranhos" e "desviantes" ao ridículo, a fim de pressioná-los para que modificassem seu comportamento e o adaptassem ao que se esperava do sujeito "normal".

Hoje, vemos como brincadeiras, apelidos, abordagens físicas, entre outros atos de intimidação (tanto velados quanto explícitos) servem para reforçar as normas e para estabelecer uma política de exclusão e humilhação do mais fraco.

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Quem pratica o bullying tem um senso de superioridade advindo da diminuição do outro e na escola pesquisas mostram que se trata de um comportamento cíclico; crianças que sofrem bullying tendem a praticá-lo quando têm oportunidade.

Segundo pesquisa guiada pelo Dr. Ryu Takizawa, do Instituto de Psiquiatria da King's College de Londres, em 2014, os impactos do bullying na infância podem permanecer na idade adulta, com impactos visíveis quase 40 anos depois. Foram observadas 7.771 crianças, até que completassem 50 anos de idade, sendo que 28% delas foram intimidadas dos 7 aos 11 anos e os traumas a longo prazo puderam ser percebidos na maioria delas. Além de uma propensão a ser menos saudáveis, essas pessoas tinham maior probabilidade de desenvolver transtornos como depressão, ansiedade e até mesmo pensamentos suicidas.

No Brasil, um estudo realizado pelo IBGE com mais de 100 mil alunos de escolas públicas e privadas revelou que 20% dos estudantes já praticaram bullying e identificou, entre os motivos para as agressões, fatores como aparência (do corpo ou do rosto), cor da pele, sexualidade e região de origem - contudo, 51,2% dos entrevistados não souberam determinar uma razão específica para que implicassem com outros colegas.

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Diante desse cenário, em novembro de 2015, foi aprovada a Lei 13.185 que institui o Programa de Combate à Intimidação Sistemática, voltado para a repressão do bullying tanto nas escolas quanto na internet (o chamado cyberbullying), definindo parâmetros de ação para o Ministério da #Educação e dos demais órgãos atuantes na área.

A necessidade de se implementar uma lei desse tipo expõe a gravidade do problema e a dificuldade de lidar com ele. Infelizmente, muitas escolas preferem fechar os olhos e ignorar a real gravidade da questão, falhando em garantir a integridade e o bem-estar dos alunos