#José Mujica, ex-presidente do Uruguai, é um homem atípico. Apesar de ocupar uma posição política importante, prefere manter o estilo de vida simples, a casa sem artigos de luxo e o fusca antigo. Aos 81 anos, escolhe manter relacionamento próximo com a simplicidade ao invés de acumular riqueza.

Em depoimento para o filme "Human", dirigido pelo francês Yann Arthus-Bertrand, Mujica esclarece que a filosofia do viver com pouco não faz apologia à pobreza, mas é questão de sobriedade. Ser contrário ao consumo supérfluo é valorizar a vida, na opinião dele. “Quando compramos algo, não compramos com dinheiro. Compramos com o tempo de vida que temos que gastar para ter o dinheiro.”

A relação com o consumo não é tarefa fácil.

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Pesquisa do Serasa Experian aponta que 35 milhões de pessoas no Brasil estavam em situação de inadimplência em 2014. A maioria dos endividados era formada por jovens entre 26 e 30 anos, que correspondiam a 29,9% do total. O levantamento leva em consideração as dívidas com mais de 90 dias de atraso e com valor superior a R$ 200.

Além dos problemas para o bolso, as questões financeiras também prejudicam o coração. 56% das causas de divórcio nos últimos seis anos resultam de desavenças relacionadas ao dinheiro, um dos principais motivos para brigas entre casais. É o que aponta pesquisa realizada pelo Grupo Experian no Reino Unido. Três mil pessoas foram ouvidas.

O consumo não é sinônimo de dor de cabeça para Fernanda Marinho, de 35 anos. A blogueira, uma das responsáveis pelo blog Minimalizo, compartilha, via web, as experiências pessoais que vivencia com o estilo de vida do #Desapego.

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Fernanda nunca foi apegada aos bens materiais. O consumo consciente sempre esteve entre as principais preocupações do dia a dia. Entretanto, quando precisou voltar a morar com a mãe, foi um desafio acomodar todos os pertences em um único quarto. A adequação ao cômodo, pequeno, serviu como ponto de partida para começar a pensar mais efetivamente sobre a necessidade de não acumular pertences e os benefícios que resultam dessa prática.

Os pontos positivos? A blogueira passou a valorizar o espaço livre nos armários, a gastar menos tempo com a limpeza da casa, a reconsiderar o que pensava sobre liberdade e paz de espírito e a tornar o cotidiano mais leve e ágil. “Para mim, dá prazer demais. Eu me sinto mais leve, mais no controle da minha vida.”, destaca Fernanda.

O que começou apenas como necessidade de ocupar menos espaço físico, transformou hábitos. Até o orçamento mensal passou por reajustes. Neste processo, Fernanda se aproximou do conceito de minimalismo, que aborda sobre o viver com o essencial e sobre a valorização das coisas que o dinheiro não pode comprar, como satisfação e felicidade.

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“Fui percebendo como a gente dá valor a coisas que não são nada importantes para nós.”, declara a blogueira.

O desapego, então, passou a ter viés ideológico, pois as atitudes anticonsumistas têm consequências para a sociedade, conforme ela. Começou a pensar nas pessoas que recebem as doações das roupas e utensílios que não usa mais – e que ficariam estocados em casa – e no meio ambiente, que ajuda a preservar ao produzir menos lixo. #Economia