Desde os primórdios da humanidade nós temos relatos de grandes embarcações que mexem com o nosso imaginário, como a arca de Noé, as caravelas portuguesas, o Titanic, e tantos outros que, com o passar dos anos, se tornaram históricos, porém sabemos que no período contemporâneo os navios são muito mais do que história. Eles interligam todos os continentes e tornam viável um comércio internacional lucrativo.

Se por um lado os armadores têm desenvolvido navios cada vez maiores e tecnológicos, os nossos portos não acompanharam tamanho crescimento, e não à toa boa parte dos que operam atualmente não conseguem acessar grandes terminais marítimos ao redor do mundo, como é o caso do #Porto de #Santos, que abordarei com mais detalhes neste artigo.

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O porto de Santos é o maior da América Latina e o principal do continente Sul-Americano, onde por ano são movimentadas cerca de 96 milhões de toneladas de cargas e recebidos mais de 1,1 milhão de passageiros. Sua área completa mede aproximadamente 7,8 milhões de m² e seu lucro líquido ultrapassa os 199 milhões de reais.

Segundo a publicação britânica “Container Management”, o porto de Santos é o 39º maior movimentador de contêineres do mundo e, sem dúvida, o maior da América Latina, movimentando por ano mais de 2.697 milhões de TEUs. Acho que é consenso que estamos falando de um dos maiores complexos portuários da atualidade, porém quando o assunto é canal de navegação, os números não são tão animadores.

De acordo com o site oficial do Porto de Santos, o calado máximo operacional (maior profundidade navegável) é de 13,20 metros, o que hoje em dia é considerado um limite bastante baixo.

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As perdas anuais com essas restrições chegam a 1,6 bilhão de reais conforme estudo realizado por alunos da USP, contratados pela CODESP

O que hoje é um cenário ruim pode ainda piorar se até 2027 não existir a capacidade de operar navios de grande porte como o Maersk Emma”, o maior do mundo que hoje já frequenta portos tradicionais como o de Roterdã na Holanda.

Impulsionados por essas perdas e pelo medo de ver o porto de Santos se tornar obsoleto, autoridades portuárias e governamentais têm buscado soluções para este problema. A sugestão mais óbvia é a execução de um projeto de #Dragagem que trata de retirar a areia acumulada no fundo do canal de navegação, a fim de aprofundá-lo ainda mais, e de alargar os estreitos de modo que os navios possam transitar com mais facilidade.

Embora pareçam simples, as obras da dragagem no porto de Santos têm enfrentado grande resistência, principalmente de ambientalistas e de pessoas que não concordam com os custos das obras. Porém, se pensarmos a longo prazo, essas obras trarão grandes avanços, pois evitarão as filas para atracação, reduzirão os custos de frete e, consequentemente, aumentarão as movimentações de carga no porto que hoje é referência continental.

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Com maior movimentação de carga e mais protagonismo internacional, o porto gerará mais empregos e impulsionará a economia, trazendo benefícios não só aos práticos da zona portuária, mas a toda sociedade. É claro que nós não passaremos a receber os maiores navios do mundo de um dia para o outro, pois as obras de dragagem tendem a ser graduais e demoram um longo período de tempo para atingir o desejável, mas um pequeno aprofundamento de calado pode significar um olhar diferenciado do investidor para a região.

Concluo então que a dragagem é a melhor solução para os problemas de restrições no porto de Santos, e não podemos mais insistir em usar navios deficitários quando sabemos que essas medidas geram um claro desgaste da imagem de Santos como cidade portuária. Nós precisamos entrar na rota dos “gigantes dos mares” e ampliar o nosso poder de movimentação, e isso nós só conseguiremos alargando o nossos estreitos e aprofundando nosso calado operacional.

Não existe pó mágico de “pirlim-pim-pim”. Precisamos de um bom projeto de dragagem e muita fé para continuar crendo que um dia veremos um grande encontro de gigantes.