Nesta semana, Jô Soares recebeu em seu programa a equipe editorial do livro Mascarados, livro escrito a partir de pesquisas e entrevistas sobre a tática dos Black Blocs. Infelizmente, a entrevista foi uma imensa tragédia. O respeitadíssimo apresentador mostrou que está realmente precisando de uma reciclagem.

Logo de início, Jô afirmou que o assunto era aterrorizante, mas foi refutado pela pesquisadora e socióloga Esther Solano, que disse “nem tato”. Ela afirmou que isso era uma opinião pessoal dele, pois não é isso que mostra a pesquisa. Mas, ele não aceitou ser contrariado e elevou o nível da entrevista para um debate pessoal. 

Ele afirmou que viu um black bloc com a suástica nazista, constrangendo os pesquisadores.

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A equipe rebateu dizendo que nunca, nestes dois anos de pesquisa, viram um black bloc que fosse nazista e, pelo contrário, eles são, em grande maioria, Antifas: “um movimento anti-nazista e anti-facista”.

Jô insistiu e tentou comparar os black blocs com um movimento que ocorreu na Alemanha nazista, onde os jovens atacavam as casas e os negócios dos judeus. Contudo, foi refutado novamente, com o resultado da própria pesquisa que observou que entre eles há negros, gays e mulheres. Portanto, não seriam racistas, nem mesmo homofóbicos.

Após seus argumentos serem rebatidos, o apresentador relembrou o caso do cinegrafista que morreu, vítima de um rojão, quando cobria uma manifestação. A pesquisadora afirmou que isso abalou o movimento na época. Mas, por mais que o jovem mascarado tenha atirado o rojão, deve-se entender que neste caso não tinham intenção de matar.

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O ocorrido foi um acidente. A tática é usada para chamar a atenção da mídia para as manifestações. As únicas pessoas que os black blocs atacam (com pedra, paus ou fogos) pessoalmente são policiais.

Para eles, policiais significam o braço violento do Estado. Policiais são os que mais agem fora da lei, principalmente nas favelas. Ativistas black blocs sustentam a ideia que “o Estado age para garantir a exploração realizada pela classe rica em cima da classe pobre, principalmente não deixando os pobres se revoltarem”, é aí que entra a utilidade de um batalhão de choque – calar violentamente o povo de reclamar direitos.  

Além disso, o movimento foi originalmente criado não para atacar, mas para defender os participantes de um protesto dos próprios policiais.

Essa tática surgiu no meio de ativistas ambientalistas, quando tiveram seus membros mortos por policiais, durante protestos. Surgiu, portanto, como tática de defesa. Por isso os escudos.

No caso dos ativistas ambientais, eles começaram a quebrar as vidraças das janelas das grandes corporações que destruíam o meio ambiente.

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O que os adeptos da tática black bloc atacam, hoje em dia, são prédios comerciais privados que representação simbolicamente o capitalismo. Um banco, por exemplo, que se utiliza de taxas abusivas para roubar o cidadão comum.  

Os black blocs estão sempre apontando onde está a origem dos problemas sociais. Nesse sentido, a “violência simbólica” aponta para a violência real do Estado. #Televisão #Rede Globo