Ao estatizar praticamente toda a propriedade produtiva e regulamentar a atividade econômica a partir do planejamento centralizado (ou seja, dependente do Estado), ao invés do mercado, competição, exploração e a busca pelo lucro, o #Socialismo cubano produziu vários problemas a si mesmo, é verdade. Socialismo, não produz automaticamente uma utopia. Sem a temível disciplina do mercado capitalista, problemas de motivação, produtividade, eficiência, qualidade dos produtos e serviços acabam sendo inevitáveis, e isso podemos checar em várias empresas estatais brasileiras.

Administrar um Estado grande e inchado, onde pertence a si, com exclusividade, o dever de promover o bem estar social, fornecendo emprego a todas as pessoas, pode levar a excesso de funcionários e ineficiência.

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A burocracia se torna inevitável, causando atrasos, que por sua vez têm como consequência filas, limitações de produtos, serviços e variedade, e até mesmo o racionamento.

Mas o socialismo cubano também garantiu conquistas monumentais para a classe trabalhadora, incluindo o crescimento econômico, pleno emprego, saúde e educação, moradia, nutrição e um enorme nível cultural. Entretanto, se #Cuba conseguiu tamanhos avanços no passado, por que há tanta miséria atualmente? Embora tais problemas possam ser inerentes à natureza do socialismo, ao longo dos anos ele foi exacerbado pelas condições de seu nascimento.

Nunca uma revolução socialista teve o privilégio de se desenvolver livremente em suas próprias condições internas, e por isso, a militância da esquerda brasileira defende que o socialismo nunca foi aplicado como foi idealizado.

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Nenhum país socialista conseguiu (e nem poderia) evitar as tentativas imperialistas de sufocá-lo pela invasão, isolamento diplomático e guerra econômica (sanções, embargos, sabotagem e pressão militar). Os Estados Socialistas sempre foram obrigados a sobreviver em um mundo hostil, principalmente após o desaparecimento do bloco socialista na URSS e no leste Europeu, o que levou a ilha a fazer diversas reformas no seu modelo econômico para sobreviver ao isolamento criado pelos #Estados Unidos.

No primeiro período da revolução (1960-70), Cuba enfrentou a desigualdade social do país, estatizando as grandes empresas estrangeiras (o que garantiu o pleno emprego aos cubanos, e manteve o dinheiro do capital no país), distribuiu terra aos sem-terra, desenvolveu um sistema de planejamento, e driblou o embargo norte-americano comercializando com os países socialistas. Neste período, Cuba valorizou os incentivos morais sob os incentivos materiais, além de definir objetivos ambiciosos, projetando uma revolução industrial financiada pela produção intensiva e exportação de açúcar.

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Com o passar dos anos e o fim da URSS, Cuba foi obrigada a fazer ajustes fiscais, criar uma moeda dupla (local e turística, sendo a turística muito mais valorizada), o que em seguida em seguida a forçou aumentar o salário dos trabalhadores, aumentando os custos do Estado, na tentativa de acabar com a desigualdade, corrupção e o mercado negro. Cuba viu as suas receitas despencarem, já que não possuía relações internacionais, graças ao embargo econômico mantido pelos Estados Unidos, que proibia os países de negociar com a ilha, na tentativa de forçá-la a quebrar o seu modelo econômico.

Se olharmos a história, Cuba não produziu miséria, pelo contrário; deu à sua sociedade condições de desenvolvimento, apesar dos problemas inevitáveis citados no início do texto. Ao longo de 53 anos de embargo, o governo cubano calculou um prejuízo de US$ 1,1 trilhão, segundo o relatório enviado a Organização das Nações Unidas (ONU). Uma cifra muito significativa quando observamos o PIB do país, que atingiu US$ 68 bilhões em 2011, segundo os dados disponibilizados pelo Banco Mundial. Com a quantia perdida, Cuba teria condições reais de desenvolvimento em pé de igualdade com o continente europeu.