A postagem publicada no dia 12 de outubro por Norma Coeli se tornou notícia em diversos portais pela internet. Em seu texto, ela conta sobre como sentiu, desde que o nascimento, que seu filho era "diferente". Coeli conta que procurou mascarar o máximo que pode, criando a "filha" dentro do esperado para uma criança do gênero feminino, mas que a "garota" sempre gostou de jogar futebol e não entendia o motivo de não poder se vestir como seu irmão. A mãe reconhece, ainda, que insistir para o filho se vestisse e comportasse como uma menina foi uma verdadeira tortura para José Bernardo, hoje com 18 anos.

Aos 12 anos, José Bernardo revelou à mãe que gostava de garotas, supondo que era lésbica.

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Mas, segundo a própria Coeli, gradativamente o filho foi se libertando das amarras sociais para se reconhecer e se revelar como #Transgênero. A mãe acompanhou os dilemas do jovem, sempre disposta a ouvi-lo.

Agora, com o registro de identificação social emitido pelo estado do Pará, a identidade masculina de José Bernardo foi devidamente legitimada e Norma Coeli a usou para ilustrar a postagem (posteriormente apagada pelo Facebook, que não permite a publicação de fotos de documentos pessoais revelando os dados da pessoa), na qual informa à família que o filho deve ser tratado no gênero com o qual se identifica. O estado permite a emissão do documento social para transexuais e travestis, sendo Belém a primeira cidade a adotar a prática, amparada pela Lei nº 9.199/2016.

A atitude da mãe é um exemplo para familiares e amigos que ainda lutam com a própria dificuldade de aceitação da identidade transgênero de uma pessoa que lhes seja próxima.

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Apoiar o indivíduo trans é importante para que ele se sinta impelido a viver como realmente é apesar da transfobia, violência e discriminação frequentes que ainda precisa enfrentar.

À BBC Brasil, José Bernardo relata que nunca foi agredido, apesar dos comentários negativos e olhares estranhos. Para ele, uma das principais razões pelas quais nunca se deixou abalar pelo preconceito foi justamente o amor e amparo da família.  #LGBT