Relembre o caso:

Aos 26 anos de idade, noivo e com promessa de um futuro promissor, o dentista André Luiz Medeiros Biazucci Cardoso viu a sua vida ir, sem escalas, ao inferno. No dia 20 de outubro de 2013, ele foi preso.

A história começou quando o jovem #dentista passava o fim de semana na casa de sua noiva e no domingo de manhã, atendeu uma ligação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Belford Roxo, na Baixada Fluminense. O teor da ligação foi assustador. Ele estava sendo acusado de cometer seis estupros seguidos de roubo. Sem entender direito o que estava acontecendo, André Luiz foi levado imediatamente à delegacia.

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Uma vez na delegacia, o dentista foi detido e orientado, pelos agentes da lei, a confessar o #Crime, caso contrário os outros presos o matariam na cadeia. Como era inocente das acusações, recusou a confessar os tais crimes e como tudo não passava de um grande engano, ele estava seguro que logo tudo seria resolvido. Ledo engano.

O dentista nem chegou a sair da Delegacia. Foi, imediatamente, algemado e detido. Quando estava algemado, ele apanhou na cara, levou vários chutes e ouviu diversos insultos e ameaças. Assim, começou o seu calvário. Ele passou seis meses e 26 dias nos presídios Patrícia Acioli, Bangu 8 e Thiago Teles, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio de Janeiro, até ser absolvido e inocentado das acusações.

Durante o inquérito, descobriu que a polícia chegou até ele baseada no depoimento de uma das vítimas que informou a placa do carro do jovem dentista.

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Para piorar a situação do moço, no dia em que as vítimas foram fazer o reconhecimento do suspeito, todas elas apontaram André Luiz Medeiros Biazucci Cardoso como autor dos crimes. Para seu advogado, esse fato foi induzido pela polícia, para terem um suspeito preso. Para o juiz, que lavrou a sentença de soltura do rapaz, esse processo de reconhecimento teve formação de falsas memórias, insistência na mesma pergunta e utilização de palavras associadas com diferenças semânticas sutis.

Apesar das dificuldades, André Luiz conta que sempre recebeu o apoio da família, da noiva e do sogro, que acreditando na sua inocência contratou um advogado. Assim, o advogado pediu uma autorização para fazer um exame de DNA completo nos resíduos biológicos presentes nas vítimas e nas cenas dos crimes, e uma perícia do carro do dentista. Quando os resultados chegaram, os exames provaram e comprovaram que ele não era o responsável pelos crimes.

Agora, André Luiz afirma que está reconstruindo a sua vida, longe de Belford Roxo.

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Já trabalha em dois consultórios e busca retomar a especialização em ortodontia, que foi interrompida durante a temporada atrás das grades.

A Deam informou que, após sete vítimas de crime sexual reconhecerem o dentista como autor dos crimes, foi pedida sua prisão. A Corregedoria Interna da Polícia Civil informou que vai instaurar uma sindicância para apurar a conduta dos agentes que fizeram a investigação e da delegada do caso.

“Eu aprendi a ter fé. De resto, não tenho nada para aprender sobre isso, porque não sou culpado Mas, sai dessa história mais fortalecido.” - Desabafa o dentista marcado pelo estigma social de quem já enfrentou o sistema judiciário e penitenciário brasileiro, inocentemente. #Justiça