No debate que ocorreu na noite de quarta-feira, 19 de outubro, a candidata #hillary clinton não apenas demonstrou sua preocupação a respeito da saúde da mulher como tema, mas também se posicionou de forma contundente a respeito da autonomia no que concerne à reprodução. Sem hesitar, Clinton afirmou que, se eleita, irá defender o planejamento familiar, o caso Roe contra Wade e o direito da mulher de tomar suas próprias decisões quanto à saúde.

O caso Roe vs. Wade, da década de 1970, fez com que a Suprema Corte dos E.U.A. reconhecesse o direto da mulher ao #aborto ou à interrupção voluntária de sua gravidez, tendo se tornado emblemático no país.

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Apesar das controvérsias que se desenrolaram posteriormente à decisão, trata-se de um antecedente que dá à mulher um direito de escolha vital.

Esse caso foi levantado por um dos mediadores do debate, que perguntou a Donald Trump se ele reverteria a decisão, ou seja, se ele proibiria o aborto no país - uma vez que o candidato se declara "pró-vida". Trump titubeou em sua resposta, apenas dizendo que nomearia juízes "pró-vida" para a Suprema Corte, o que possivelmente levaria à proibição.

Quando a mesma pergunta foi direcionada a Clinton, ela se mostrou confiante no posicionamento de apoiar o direito ao aborto, que descreveu como uma das decisões mais íntimas, difíceis e que, com frequência, diz respeito à própria saúde da mulher. Ela se explicou a partir de sua experiência na política, através da qual teve a oportunidade de viajar por todo o mundo e de conhecer pessoas em situações tão diversas quanto as culturas das quais faziam parte.

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Em suas viagens, Clinton teve a oportunidade de conhecer mulheres que foram forçadas, pelo governo, a abortar (como na China), ou obrigadas a dar à luz (como na Romênia), e sua conclusão é a de que o governo não deve se meter nessas decisões. No que diz respeito ao aborto em estágios avançados de gravidez, a candidata admitiu se tratar de situações muito específicas e complexas, reiterando que não cabe ao Estado decidir pela mãe.

Ao contrário de Trump, que demonstrou não ter conhecimento algum sobre a questão (chegando ao absurdo de afirmar que é possível abortar aos nove meses de gravidez), Clinton deixou claro o quão importante é a compreensão e a empatia para com mulheres que sentem a necessidade de passar por essa experiência invariavelmente traumática.

O uso do rótulo "pró-vida" por aqueles que se opõem à legalização do aborto é, por si só, a admissão de pouco conhecimento sobre o que realmente está em jogo. O mesmo pode ser dito daqueles que veem no mandamento bíblico - "Não matarás." - o argumento derradeiro para a proibição legal de uma prática que, independentemente de ser sancionada ou não, continuará acontecendo.

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Sem entrar no mérito de em que ponto a vida começa (uma vez que há divergências entre linhas de pensamento) e assumindo que a interrupção da gravidez corresponde a impedir que uma vida tenha continuidade, precisamos levar em conta algumas consequências e fatores estatísticos.

A criminalização do aborto não significa, em absoluto, que o ato não ocorrerá. Significa apenas que, às mulheres que optarem por ele, serão oferecidas condições mais adequadas para o procedimento. O aborto clandestino é responsável pela morte de um grande número de mulheres todos os anos e a continuação de sua proibição legal faz com que tenhamos ainda mais mortes - dos fetos e das mulheres. Sendo assim, defender a proibição da prática não é o mesmo que defender a vida em todas as suas formas.

Obviamente, a questão ética que aqui se põe é muito maior e mais complexa, mas é necessário entender que mais de uma vida está em jogo quando a mulher opta por abortar - e que, como Hillary Clinton explicou, não deve caber ao Estado impor essa decisão. #Eleições EUA 2016