O que está acontecendo com o nosso #Futebol? Como a maioria dos brasileiros, sou extremamente apaixonado por esta ciência não exata, paixão que nos move, nos faz rir e chorar, sofrer, alegrar. Contudo, quem tem da minha idade (32) para mais, por muitas vezes deve se perguntar: o que está acontecendo com o futebol?

Já faz algum tempo que percebemos que os níveis de qualidade nos campos estão baixíssimos, e nós simplesmente ignoramos isso. Informalmente com pessoas de menos idade, percebo que o nível de exigência dos torcedores é muito menor, temos ídolos de times grandes hoje que não seriam reservas de times de menor expressão há uns bons 15 anos.

Publicidade
Publicidade

Comecemos pelos dois últimos campeonatos brasileiros (2015 e 2016): vimos um Corinthians extremamente limitado vencer o campeonato nacional com facilidade e um futebol burocrático e chato (posso dizer isso com extrema certeza, pois estive em quase 100% dos jogos do clube na cidade de São Paulo) e em 2016 estamos vendo um virtual campeão Palmeiras tão limitado quanto seu arquirrival de um ano atrás.

Todavia, podemos observar não muito distante de nosso círculo social, torcedores felizes e defensores do tal "futebol moderno". E quando falo em futebol moderno, não falo de regras, novas arenas, uniformes e etc, pois tudo isso é papo para outro artigo. Falo das novas táticas, novas formas de jogar, de se escalar e alterar times durante uma partida.

É extremamente desesperador ver alguns jogadores tratados por torcida e imprensa em geral serem tidos como craques, ídolos.

Publicidade

E não é preciso sair do seu time para perceber alguma atrocidade desta sendo cometida, passeando pela tabela do Campeonato Brasileiro deste ano. Temos o líder Palmeiras que tem como um "craque" Dudu, usando a 7 que já foi de Edmundo. No Flamengo, o peruano Guerrero sendo tratado como ídolo em um time que não muito longe já teve Bebeto, Romário e Zico. Se você tem menos de 25 anos, sente com algum parente de um pouco mais de idade e reveja o futebol da década de 90 no #Brasil, observe os jogadores que eram considerados ídolos, compare o futebol deste década com a década de hoje... é triste! E talvez por isso nossa seleção esteja com tantas dificuldades de chegar onde sempre esteve, no topo.

O futebol nacional hoje, principalmente o jogado no Brasil, não tem aquele goleiro pegador de penaltis como Taffarel, Marcos ou Dida. Não tem mais laterais como Cafú, Branco e Roberto Carlos. Não tem zagueiros como Lúcio e nem volantes como Mazinho ou o Vampeta. Os meias, nem de longe lembram Zinho, Marcelinho Carioca, Souza, Raí e os atacantes fazem Romário, Edmundo, Evair e Ronaldo parecerem semi-deuses.

Publicidade

Nós brasileiros, parecemos estar sendo enganados por um tipo de futebol chato como o alemão, o inglês e seus derivados. Um futebol duro, sem ginga, sem lampejos de genialidade, sem swing, sem drible, sem BRASIL. Há alguns anos estamos assistindo futebol europeu demais (não que eu tenha algo contra, assisto e sou muito fã do Bayern de Munique por exemplo) e esquecendo que somos sul-americanos, brasileiros. Local de futebol arte, de dribles, de genialidades e provocações (quem se lembra do quanto Paulo Nunes e Edílson alegravam o futebol?) do chamado "futebol arte".

A tentativa incessante de transformar o futebol brasileiro em algo parecido com o velho continente está nos matando pouco a pouco, estamos perdendo a nossa característica maior, a alegria. E o que me assusta tremendamente é que estamos achando isso normal. Não temos mais chutes de fora da área como os de Roberto Carlos e Branco, não temos mais batedores de falta como Marcelinho Carioca, Neto, Zico ou Rogério Ceni, não temos mais lançamentos para a velocidade de um Euler ou de um Mirandinha.

O que temos hoje é um futebol duro, cheio de toques pro lado, burocrático e programado para levar menos gols. É como se o Brasil tivesse esquecido da arte que praticava e isso é triste. Salvem o futebol do Brasil enquanto existe tempo e tragam de volta a alegria de jogar futebol ao meu país.  #Brasileirão