Um #Vídeo que mostra o espancamento de um travesti foi divulgado ontem, 20 de outubro, pelo Portal ORM News. O fato aconteceu na rua Boaventura da Silva, na esquina com a movimentada avenida Doca de Souza Franco, bairro Umarizal, em Belém.

O caso teria acontecido durante a madrugada e o internauta que fez a filmagem do alto de um prédio preferiu não se identificar. Ele disse ao site que acordou por volta das 5 horas da manhã com os gritos e, indignado com tamanha #Violência, filmou parte do ocorrido.

No vídeo, vários homens se revezam dando chutes no travesti, que está com o rosto ensanguentado. Um policial militar chega e, mesmo com sua presença, os indivíduos continuam a agredi-lo; em nenhum momento o oficial intervém nas agressões, nem mesmo quando um dos homens puxa o travesti pelos cabelos.

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Apesar de nas filmagens ser possível identificar apenas um policial, segundo o G1, dois oficiais estavam presentes.

Os agressores são taxistas de uma cooperativa e explicaram que o travesti, de 16 anos, faz parte de um grupo que estaria cometendo assaltos na região. De acordo com a Cooperdoca, três taxistas foram assaltados da mesma forma: uma pessoa pega o táxi e, na hora de fazer o pagamento, comete o assalto. Os casos ocorreram no Guamá e em Icoaraci e, naquela madrugada, os taxistas teriam reconhecido o travesti e o perseguido.

Segundo o morador responsável pela filmagem, aquela não foi a primeira vez em que taxistas promoveram uma sessão de espancamento, lembrando de um caso em que amarraram um garoto que teria tentado assaltá-los.

As cenas são fortes e expõem uma situação recorrente: a violência brutal à qual travestis estão sujeitos sem poder contar com a proteção institucional à qual têm direito.

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Ainda que a vítima em questão tenha cometido algum crime, isso não justifica seu linchamento da forma como o vídeo retrata, pois caberia aos policiais apreenderem o travesti para apurar a existência de alguma acusação contra ele. A Delegacia de Crimes Discriminatórios da Polícia Civil está investigando o caso, mas ainda não conseguiu localizar a vítima. 

Outro lado da questão que precisa ser debatido é a situação dos taxistas, que muito provavelmente veem na lógica do linchamento uma forma de se protegerem contra a violência devido à ineficiência da segurança pública. Não podemos ignorar que o espancamento do travesti é uma reação desmedida, uma vez que está claro, pelo vídeo, que ele não teve como se defender. Contudo, é preciso que tenhamos em mente que o ato de fazer justiça com as próprias mãos é sintoma de uma falta de confiança generalizada na justiça.

#Casos de polícia