Viver em um país como o Brasil, que orgulha-se com primor de estar "deitado eternamente em berço esplêndido", nos faz refletir, sem pestanejar, que o seu atroz retrospecto histórico em relação à raça negra continua sendo deixado no limbo do esquecimento pela sociedade. Não obstante, o suplício dos milhões de egressos da África que foram traficados e trazidos em navios negreiros para serem severamente sentenciados a trabalhos forçados, cruéis e desumanos, sintetiza a discriminação racial, atualmente em voga. A chaga da escravidão deixou marcas tão profundas no corpo, na alma e na autoestima dos seus descendentes, que,apesar de termos sido a última nação a aderir ao fim do sistema escravocrata em todo o mundo, é nítido que ainda há resquícios de opressão na esfera social. 

Racismo na mídia

O racismo, na sua forma, midiática é evidenciado com exaustão pelos próprios veículos de comunicação que desprezam a visibilidade de representantes da raça negra, contribuindo de maneira  estereotipada para a predileção de gêneros hegemônicos padronizados pela sociedade, o que colabora, significativamente, com a auto-desvalorização dos artistas #negros no país.

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Um exemplo desse contexto negativo é a TV brasileira que, há mais de seis décadas de existência, ainda trata os artistas negros como meros coadjuvantes, além de outras mídias como a publicidade, cinema, teatro, revistas de moda, de entretenimento e afins, que valorizam padrões estéticos que não condizem com a realidade miscigenada do país.

Herança da cultura escravagista

A herança da cultura escravagista em terras Tupiniquins não foi totalmente extinta. A sonhada ruptura de servidão que devolveria a dignidade aos afro-brasileiros, se perdeu no meio do caminho, dando a real impressão que a segregação racial continua ativa em uma condição um tanto velada. Faz parte da realidade idealizada pelas novelas, minisséries e seriados de TV, atrelar personagens negros a papéis que reforçam estereótipos de cunho preconceituoso como o sambista malandro, o favelado marginal, a mulata sensual, a negra meretriz, a empregada doméstica, o porteiro, o segurança, o motorista, o bandido cruel, o escravo, a mucama, entre outros personagens, como os que fazem conexão direta com a criminalidade, retratando núcleos violentos e a pobreza dos bairros periféricos.

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Preconceito em voga

A pergunta que fazemos para a #Mídia do século XXI é: por que só os negros vivem à margem dessa invisibilidade? Diante dessa controversa situação, percebemos o quão é ínfima a presença de negros em papéis de destaque na TV, protagonizando a mocinha ou o galã em qualquer horário da grade da teledramaturgia brasileira. É como se a televisão não fosse a vitrine ideal para difundir e manifestar o talento e a arte dessa parcela de artistas que também fazem parte sociedade brasileira. Seja na telinha da TV, nas telonas do cinema, nas capas de revistas, nos desfiles de moda, nas campanhas publicitárias ou nas peças teatrais, o negro sempre estará  em segundo plano, principalmente enquanto houver mentalidade medieval á esse respeito.

Talento em cotas raciais

Mesmo com o projeto de Lei nº 4370/98, em tramitação no Congresso Nacional, que determina que uma porcentagem mínima de negros deve atuar nos programas de televisão, espetáculos teatrais, peças publicitárias, desfiles e projetos de cinema, ainda assim não tivemos grandes evoluções.

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Parafraseando Caetano Veloso, que diz, na sua canção "Gente" que: "Gente é pra brilhar, não pra morrer de fome", então por que a genialidade dos negros não reluz na mídia? Essa é uma pergunta que só o passado escravista do Brasil pode responder! #Racismo