Guilherme da Silva Neto era um jovem universitário engajado em movimentos sociais e integrante das #Ocupações que protestam conta a PEC do congelamento dos investimentos em saúde e educação. Seu pai, o engenheiro Alexandre Neto, de 60 anos, completamente absorvido pela campanha de ódio contra tudo o que for relacionado à esquerda política.

Embora lutar por saúde e educação não seja uma pauta exclusiva da esquerda - ou pelo menos não deveria ser - o pai estava tão convencido que seu filho estava "do lado errado" que preferiu promover uma #Tragédia a conviver com as divergências políticas dentro de casa.

A história de Guilherme foi interrompida esta semana pelas mãos do próprio pai, com 4 tiros à queima roupa.

Publicidade
Publicidade

Talvez, ciente da estupidez de seu ato, Alexandre tenha atirado contra sua própria cabeça, abraçado ao corpo do filho. Ambos morreram e a história deixou um grande rastro de ódio por onde foi noticiada. Mesmo com uma tragédia dessa proporção, o que se ouviu de parte comentaristas de portais é que esse tipo de ação se tornará cada vez mais comum num país que alimenta uma dicotomia política violenta a cada manchete.

No crime em questão, muitos dos comentaristas enalteceram o gesto do pai de "matar um esquerdista", como se matar o próprio filho fosse totalmente justificável por suas posições políticas de defesa das minorias e combate ao congelamento de investimentos públicos nas áreas mais sensíveis da nossa sociedade. Apoiar o #homicídio de um jovem por seu envolvimento em movimentos estudantis e glorificar seu assassino é provavelmente a maior demonstração de que o ódio está fora de controle.

Publicidade

Mas o problema vai ainda mais além; por mais chocante que seja o caso de Alexandre e Guilherme, um pai assassinando o próprio filho motivado por um ódio alimentado por autoridades e mídia não é nenhuma novidade no país. Uma rápida pesquisa no Google com as palavras-chaves "pai mata filho" revela uma realidade assustadora: é COMUM pais matarem filhos, e os motivos mais frequentes são a homossexualidade ou suspeita de homossexualidade do filho e a vingança contra o fim do relacionamento com a mãe das crianças.

Ambos motivos, tanto quanto a dicotomia política, são alimentados socialmente, desde os discursos de ódio contra LGBT's e conselhos de autoridades para o uso de violência contra os mesmos, até a socialização que coloca mulheres como propriedade dos homens, ou seja, dignas de grande castigo em caso de não obediência às vontades do "proprietário".

O que é mais urgente nessas tragédias cotidianas é o debate das responsabilidades sobre esse banho de sangue que o país testemunha diariamente.

Publicidade

As pessoas são facilmente conduzidas por paixões despertadas em discursos acalorados, crimes de ódio como o que ceifou a vida de Guilherme pelas mãos do próprio pai não são de responsabilidade exclusiva da mão que apertou o gatilho, mas de todo um sistema que deu a esse pai o aval para assassinar seu próprio filho.

O sistema de ódio sempre encontra bons fantoches para a execução do trabalho sujo. Até quando assistiremos calados o massacre de nossos jovens?