Quando a mídia tradicional noticia as manifestações em comemoração ao Dia da Consciência Negra, acaba desvirtuando o real objetivo da data comemorativa. O noticiário mostra os artistas que participaram dos eventos e toda a festa bonita realizada, mas pouco se fala sobre a luta e pouco se recorda sobre a condição do afrodescendente no Brasil.

Além dos quase 300 anos de #escravidão, os #negros do país foram assolados por um processo de inserção na sociedade que não foi planejado e nem sequer pensado. Simplesmente deram-lhes a liberdade, mas não os prepararam para ser livres e isso resultou em um grande desastre social que se reflete em nossos dias.

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Sem instrução, estigmatizados pela cor e sustentando o peso da concorrência com os imigrantes europeus que começaram a chegar, os ex-cativos ficaram à margem da sociedade. Para eles só restaram trabalhos temporários e inseguros ganhando migalhas.

Marginalizados, os afrodescendentes acabaram por ocupar ao longo das décadas seguintes lugar cativo nas estatísticas negativas do país. Os negros têm os piores empregos, os menores rendimentos, o mais baixo grau de instrução e destaque nas primeiras páginas do noticiário policial. O pior de tudo é que, ao invés de buscar no passado e estudar as condições impostas aos negros na sociedade entendendo-as como importante fator para a exclusão social, procura-se naturalizar a pobreza colando nos afrodescententes a culpa pelo seu insucesso. Apontam-lhe falta de empenho e de capacidade como causa.

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O dia da #consciência negra então, é dia de resgatar o orgulho, de se autoafirmar e de mostrar que não são inferiores ao restante da sociedade. É dia de recordar o passado e lembrar a luta de seus antepassados pelo fim do cativeiro, de homenagear aqueles que lutaram em prol de seus irmãos, de mostrar que o racismo ainda é imperante, de apoiar as cotas em universidades e concursos e dia de mostrar ao mundo que não é preciso imitar os brancos para se inserir. Mas também é importante mostrar que a luta não se restringe à essa data. A luta dos afrodescendentes é diária e vencer nessa sociedade selvagem é uma coisa heroica e digna de orgulho.