Estamos em meio a mais um feriado. Esse, sempre que comemorado, acaba causando polêmica. Não é incomum as pessoas questionarem o nome da data comemorativa e alegar que a comemoração nada mais é do que um "#Racismo inverso". Isso mesmo! Tem gente que acredita na existência disso no Brasil. Para essas pessoas, a criação do feriado da Consciência Negra é uma afronta à luta pela igualdade racial no país e que, em vez de igualdade de tratamento, os negros estão sendo beneficiados e paparicados. Para esse grupo, se não existe "Consciência Branca", por que deveria existir Consciência Negra? Isso é desigual! Tadinho dos brancos! Estão sendo oprimidos pelos negros do país.

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Pensar o feriado dessa forma é pensar muito pequeno. É querer reduzir a luta secular dos negros ao mito da meritocracia. É conveniente para a elite branca do país, que influencia a mente de boa parte da nação, pregar igualdade agora. Eles já largaram na frente. Isso significa que a aplicação da igualdade literal e em estado puro apenas manterá a distância entre os dois e não permitirá àqueles que ficaram para trás alcançar os que estão na frente. Ou seja, pregar igualdade nesse momento não reduzirá a desigualdade.

O feriado acaba sendo questionado, também, por simbolizar autoafirmação de toda uma minoria. Autoafirmação também acaba soando como o tal do "racismo inverso". Muitos memes na internet tentam manifestar esse sentimento de injustiça quando critica dizendo que tudo é racismo.

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Os críticos da autoafirmação querem dar o mesmo peso às ofensas raciais cometidas por brancos e negros. Não é igual! O branco não se sente ofendido do ponto de vista racial. O negro sim! O branco não carrega o estigma de três séculos de escravidão, ele não teve seus ancestrais arrancados à força de sua terra natal, ele não foi humilhado como o negro foi, ele não carrega as cicratizes de um passado macabro que constitui a história de seu povo. Ou seja, o branco não precisa de autoafirmação. Ele não precisa, a todo momento, defender sua cor. Ele não tem de provar nada! O negro tem.

Dessa forma, tanto o feriado quanto as outras políticas voltadas a beneficiar os negros não são racistas. Pelo contrário. Eles tentam dar aos negros aquilo que o país e a sociedade sempre lhes negou: a cidadania, a igualdade de oportunidades, a exaltação do seu orgulho. Por isso, devemos comemorar a Consciência Negra sim! Dizer que prefere "comemorar consciência humana" é mascarar as desigualdades e reduzir o discurso à uma simplicidade absurda! #consciencianegra #Feriado,