Estes são temas recorrentes nas redes sociais traduzidos nos slogans: “#Volta Dilma” ou “volta querida”, “fora Temer” e “Lula vai ser preso”. Em cima destas palavras de ordem, um grande debate se expande pelas redes sociais, onde cada qual expressa sua opinião, mais apoiado no que gostaria que fosse do que em motivos e argumentos reais e consistentes.

Mas vamos por partes. No caso “volta Dilma” observamos postagens e noticias de entrevistas com opiniões de juristas que se traduzem de forma definitiva segundo seus autores. Muitas destas postagens são de matérias anteriores ao afastamento definitivo de Dilma e refletem a opinião exclusiva de personalidades do mundo jurídico, dizendo após seus argumentos, que o Supremo tem que fazer isto ou aquilo, “o STF vai ter que anular a sessão do plenário do senado e coisas do tipo por causa de tal e qual lei”.

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O Supremo não é um tribunal comum. Ele pode atribuir como peso em suas decisões questões com o quadro político atual, o risco de instabilidade social, que em síntese significa decidir por um mal menor para a paz social, mesmo que argumentos jurídicos apontem em outra direção.

A volta de Dilma no atual já conturbado ambiente social, político e econômico representaria um aumento de risco a este ambiente. Temos que considerar ainda que, apesar de sua militância aguerrida, mas muito enfraquecida em números, como as ultimas eleições demonstraram, do outro lado existe um contingente muito maior que rejeita seu nome e está pronto para voltar para as ruas se for o caso.

Por outro lado, o Supremo também tende a enxergar na decisão do Senado uma ação soberana, e que qualquer ação contrária poderia ferir de morte o principio da independência dos poderes.

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Até mesmo o fatiamento do julgamento de Dilma deve ser mantido com base nestes argumentos. A inércia nestes casos tende a ser o caminho mais prudente e o “deixar como está, pra ver como é que fica” pode ser mais seguro do que abrir esta caixa de Pandora.

No caso da prisão de Lula temos que reconhecer primeiro que não é fácil se tomar tal decisão contra qualquer ex-presidente. E Lula tem a seu favor alguns elementos que reforçam esta tese. Um presidente de dois mandados, saído da classe de trabalhadores e de retirantes do nordeste, grande poder de mobilização popular e liderança reconhecida, não só no Brasil, mas no mundo.

Hoje existe um reconhecimento tácito e até FHC e Temer expressaram isto: a prisão de Lula o tornaria num mártir de uma causa, e ainda que existam elementos jurídicos para esta prisão ela teria consequências imprevisíveis para a situação politica e social do país.

Não é toa que a justiça, na figura dos promotores e juízes, reluta em tomar qualquer decisão contra ele e quando o fazem têm o cuidado de explicar tudo muito bem explicadinho, com no caso do polêmico PowerPoint de Deltan Dallagnol.

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A prisão, mesmo de ex-presidentes não populares, tem sido repelida pelas democracias modernas que estão atreladas a acordos internacionais com órgãos como a OEA, ONU, Pacto San José da Costa Rica e Tribunal de Haia. Mesmo que seja comprovada de forma cabal a culpa de Lula como chefe de organização criminosa, ainda assim sua prisão é muito improvável.

O “#Fora Temer” mantém seu apelo como mote de campanha da atual oposição, com o intuito de mantê-la com uma das suas ultimas bandeiras. Mas a permanência dele no governo reflete uma visão estratégica para a atual situação do Brasil (ruim com ele pior sem ele).

Só Congresso ou o Supremo, poderiam tirá-lo do governo, e assim mesmo sob uma insuportável pressão das ruas, Mas acho que, em função desta visão estratégica, ele vai ser mantido até as próximas eleições. E para se conseguir isto, a ideia é fazer o que este dois poderes mais sabem, arrastar os processos até 2018, ou protelar decisões.

Contam que até lá a situação do Brasil melhore em todos os sentidos, e as eleições possam transcorrer com toda a normalidade que se espera num regime democrático, ainda que claudicante. #Lula preso