As fotos de Fábio Galhota permanecem na cômoda do quarto como no último dia que esteve ali. Sua cama intacta é a esperança de que, a qualquer momento, por milagre, ele entre e finalize os 5 anos de luto e saudade. "Ele era tudo para mim. Nós tínhamos uma amizade muito grande.", diz sua #mãe, Telma. Fábio foi assassinado aos 22 anos na saída de um encontro com colegas, após dar carona a um desconhecido que acompanhava um amigo. No meio do caminho, tentou evitar que a namorada fosse estuprada e pagou com a vida. Tanto tempo depois, as marcas de sua ausência ainda ferem seus parentes. "Sentir a dor de perder um filho é algo muito solitário, pois as pessoas se afastam, te chamam de louca, não querem estar perto de você, porque você fala muito do seu filho." Todo dia 17 de janeiro, data de aniversário de Fábio, a mãe do jovem garoto vai ao local onde ele tirou sua última foto e canta parabéns.

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"Eu não posso ficar doente, nada pode me acontecer neste dia. Todo dia 17 de janeiro tenho que estar lá para prestar essa homenagem."

Rosangela Cardoso também perdeu sua filha. Aos 12 anos de idade, Fernanda foi atropelada em São Bernardo do Campo, deixando um vazio em seus familiares. "A gente nunca pensa em perder um filho, a gente sempre pensa que nós iremos primeiro. Por isso é tão doloroso e tão difícil". 22 anos depois, ela também mantém suas memórias através de fotografias. "Eu nunca esqueço. Pode passar 100 anos que ela sempre estará na minha memória. Ela era muito alegre, dócil e cheio de vida. Impossível esquecer."

Tentando entender a #Morte prematura dos filhos, as duas mães pensam no sobrenatural. Segundo Rosangela, sua filha sentiu que seria breve: "Uma vez entramos em um cemitério e vimos um pai que perdeu seu filho.

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Ela virou pra mim e disse que devia ser mais fácil um filho aceitar a morte dos pais, do que os pais aceitarem a morte dos filhos. Fiquei surpresa quando lembrei disso dias depois." Já Telma tem um dos momentos mais marcantes que viveu ao lado de Fábio, como um aviso sobrenatural. "Nós saímos para ver o show do Fábio Junior juntos e essa foi minha maior emoção. Parecíamos dois namorados, de tão próximos. Isso foi antes dele partir e foi uma espécie de despedida."

Questionadas sobre como enfrentar a vida com o sentimento de perda, esclarecem: "Eu faço caridade. Além de falar com outras mães e oferecer o meu ouvido para que desabafem, sempre me ofereço para ajudar alguma instituição de caridade.", disse Telma. Já Rosangela enfatiza a importância de encarar o sofrimento e de se reerguer. "É muito difícil seguir em frente, mas nós temos que pensar nas pessoas que ficaram em nossas vidas. Temos que ir a luta, porque a vida é feita de luta."

As duas mães são integrantes do Instituto Mães Sem Nome, instituição que oferece apoio para mães enlutadas. #luto materno