Quem assiste The Walking Dead na AMC e acompanha os quadrinhos (não, este não é o meu caso) chega a ficar revoltado com o andamento da TV. Como não tenho afeição por #HQ's, vou me limitar a escrever apenas sobre o que leio sobre as HQ's comparados a minha sensação de assistir a série televisiva. Comecei a assistir #The Walking Dead em meados de 2012, confesso que era muito resistente a ideia dizendo que "é apenas mais uma história de zumbis". Não Era. Já no piloto da série fiquei extremamente preso a trama, que se desenrolava rápido demais, tiroteios, zumbis, coma, traição do melhor amigo com a esposa, reencontros inesperados, uma avalanche de emoções que todo fissurado em suspense como eu gostaria de ver.

Publicidade
Publicidade

Todavia, com o passar do tempo a série foi caindo em um marasmo sem fim. Kirkman, autor da série nas HQ's e na telinha, começou a ceder demais aos fãs da série de TV e perdeu a mão do roteiro, que deveria seguir para dar sempre um fôlego novo.

Quando li o livro "The Walking Dead - A ascensão do governador" tive a impressão que o demônio entraria na série, um vilão daqueles de arrepiar até os fios de cabelo do dedão do pé esquerdo. O personagem foi completamente descaracterizado do que realmente deveria ser. Não contarei detalhes sobre o livro para não estragar a surpresa que vocês podem ter ao querer ler, mas tenham em mente que Phillip Blake não é exatamente quem vocês viram nas telas. Depois do governador, a série mergulhou em duas temporadas extremamente sonolentas, em que nada acontecia, e quando acontecia, Rick Grimes, como um superman, resolvera tudo em 3 ou 4 episódios.

Publicidade

Quando eu já estava pensando seriamente em abandonar a série, surgiu #Negan, interpretado por Jeffrey Dean Morgan.

Negan, já em sua primeira aparição, ainda na temporada 6, em poucos minutos dá o recado: um vilão que põe medo. Exatamente o que a trama precisava, um vilão imprevisível, maldoso, impiedoso, daqueles que você imagina que possa matar a própria mãe sem remorso algum. BOOM! Zilhões de teorias apareceram no hiato que a série teve desde o início do ano até este outubro sobre quem seria o personagem morto por Negan. Daryl Dixon foi um dos mais cogitados por não existir no gibi, mas, ao que parece, Kirkman ainda tem medo de mexer no queridinho das mulheres e um dos melhores personagens da adaptação televisiva. Gleen também foi muito cogitado por morrer pelas mãos do mesmo algoz no gibi, entre outros personagens.

Quando a série voltou no último dia 23, milhares de pessoas ao redor do mundo estavam grudadas na tela para ver a ascensão de um vilão de verdade. A interpretação de Jeffrey Dean Morgan no diálogo inicial da temporada com Andrew Lincoln (Rick) é simplesmente horripilante.

Publicidade

Quando Negan decide matar Abraham (que já havia sido morto nos quadrinhos com uma flechada de Dwight) o público entra em choque pela violência gratuita do personagem, e quando ninguém esperava mais do vilão, Negan acerta em cheio Gleen, um dos mais queridos personagens da série, chocando a todos. Chegamos a certeza de que Negan é um vilão de verdade, ponto.

Não bastasse as duas atrocidades (e quando falo atrocidades, é sobre a maldade do personagem, que para a trama é interessantíssimo) cometidas por ele como cartão de visitas, ainda podemos assistir pela primeira vez Rick Grimes em xeque real, humilhado por quase todo o episódio, tendo como o ápice da humilhação (quando em uma clara referência bíblica) Negan joga Carl Grimes (Chandler Riggs) ao chão e manda com que seu pai corte seu braço em troca da vida de seus companheiros. Quando Rick parece decidido a acatar, Negan sorri e deixa de lado a ordem, como quem dissera em silêncio: "Eu sou seu Deus agora".

E se você acha que Negan não é assim tão assustador, tente prever a série daqui para frente, exceto Rick Grimes (personagem central), eu arrisco dizer que ninguém está a salvo e Kirkman pode ajeitar a série como quiser, Daryl, Michonne, entre outros que se cuidem.