Na última terça-feira, por ocasião do Dia dos Finados, estive lendo um trecho do Novo Testamento, Mt.6:22, precisamente na passagem em que Jesus nos adverte sobre o que vemos ou como vemos as pessoas e as coisas. Diz Ele: “Os olhos são a cadeia do corpo. Se os seus olhos forem bons, todo o seu corpo será cheio de luz. Mas se os seus olhos forem maus, todo o seu corpo será cheio de trevas”.

E para fazer um contrapondo a leitura religiosa, li também um trecho do livro Meu credo, de Albert Einstein. Diz ele: “A experiência mais bela e profunda que um homem pode ter é o sentido do mistério. Ele é o princípio fundamental da #Religião, bem como de todo esforço sério em termos de arte e #Ciência.

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Parece-me que aquele que nunca teve essa experiência, se não está morto, pelo menos está cego”.

De fato, o #Olhar determina a maneira como percebemos as pessoas e a realidade que nos cercam. No entanto, não podemos confiar só no que vemos, sem buscar conhecimento, em profundidade, do objeto observado. A leitura religiosa assume a dimensão redentora ao afirmar que “se os olhos forem bons, todo o corpo será cheio de luz”. Por outro lado, a leitura de Einstein ganha dimensão realista, facilmente percebida por uma atitude de empatia, ao afirmar que “a experiência mais bela e profunda que um homem pode ter é o sentido do mistério”.

Obviamente que o olhar religioso é diferente do olhar científico, mas isso não quer dizer que eles sejam indiferentes e incomunicáveis. Não. Isto não. Eles são complementares.

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Para a religião, o outro é uma presença dada como exterioridade, mas que vem da interioridade. Para a ciência, o outro está carregado de significado e não se reduz à sua manifestação exterior, pois ultrapassa qualquer tentativa de totalização. De que lado você está? Você se considera um religioso ou um cientista? Ou os dois, ao mesmo tempo?

Como traduzir ou orientar o nosso comportamento pela forma como percebemos a nós mesmos e os outros no mundo? A máxima segundo a qual “os olhos são as janelas da alma” pode nos ajudar nesse empreendimento intelectual. Tente responder para você mesmo os seguintes questionamentos: como você se vê? Como você vê o outro? Como você vê o mundo? Como você se vê no mundo? Quando prestamos atenção em nós mesmos, é fácil aceitar muitos de nossos comportamentos.

A grande questão é até que ponto você se deixa influenciar pelo olhar do outro ou se influencia o outro com o seu olhar. Seja como for, podemos ser percebidos até nas nossas mais recônditas intenções. O olhar é uma ferramenta poderosa, tanto para acolher como para afastar. “Olhando nos olhos”, chegamos à verdade do outro e de nós mesmos.