Uma das eleições mais polarizadas dos Estados Unidos não poderia trazer ainda mais surpresas do que o resultado da votação contrariar as pesquisas de intenção de votos. E assim vemos Donald Trump (70) vencer a eleição, ele vai assumir o comando da Casa Branca a partir do dia 20 de janeiro.

A vitória de Trump revela uma divisão profunda dentro da sociedade americana, e mostra a fragilidade política que o país se encontra. Existe uma hostilidade nunca antes registrada de que 96% dos eleitores de Hillary tem rejeição a Trump, e 95% dos de Trump também tem rejeição a Hillary. A verdade é que a incerteza durante as votações foi predominando, e a "maioria silenciosa" na qual o bilionário apostava, realmente decidiu a campanha, e essa maioria trata-se de brancos que vivem em áreas rurais, que foram desindustrializadas, e esse processo deixou essa população ressentida, ressentimento esse refletido nos votos.

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Agora temos um futuro incerto pela frente, pois Trump além de não ter experiência política, dá mostras na maioria de seus discursos sobre como sua visão de governo é isoladora, transcorrendo com ideias que são racistas, xenofóbicas e contrárias à liberdade de expressão. Entre várias declarações deploráveis que fez com que ele perdesse o apoio até mesmo de alguns republicanos, defendeu a tortura a suspeitos de terrorismo e também propôs a proibição da entrada de praticantes da religião muçulmana. Outra promessa foi também a deportação de 11 milhões de imigrantes ilegais, e a construção de um muro na fronteira com o México, ideia essa que nos remete ao muro de Berlim e nos faz refletir o quanto mais reacionário o bilionário ainda pode ser.

O resultado dessa eleição histórica também retrata que o perfil da maioria dos americanos é de uma sociedade conservadora e isolacionista, a qual ainda é resistente em reconhecer as vantagens de políticas mais democráticas, e socialmente mais igualitárias defendidas por Barack Obama.

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Imigrantes e latinos, por exemplo, contribuem muito para a economia americana, porém Trump só os vê como estupradores e ladrões, como já declarou. O que é irônico é que os Estados Unidos "divididos" elegem para presidente alguém com "políticas profundamente segregadoras", mas que declara em seu discurso pós vitória: "É hora de caminhar juntos. Eu vou ser o presidente de todos os americanos". #Donald Trump #Eleições EUA 2016