A indagação “is the pope Catholic?” (“o #Papa é católico?”) é uma pergunta retórica que costuma ser feita como resposta a uma pergunta que mereça ser respondida com um enfático “sim” (Pergunta: “Você tem certeza que a ideia é boa?” Resposta na forma de pergunta retórica: “O papa é católico? ”). Como o papa, chefe da Igreja Católica é obviamente católico, a pergunta vale como uma forte afirmativa. Quatro cardeais, no entanto, dizem que a Exortação Apostólica Pós-Sinodal Amoris Laetitia (Alegria do Amor), que foi publicada em abril deste ano, têm recebido “interpretações que são não só divergentes, mas também conflitantes”.

Especialmente desagradou o grupo de cardeais, inclinados a posições mais conservadoras, o oitavo capítulo do tratado de 260 páginas que trata da vida em família. Nele, o papa trata da possibilidade de que divorciados possam, sem alcançar a anulação do casamento pela Igreja (processo demorado e de fim incerto), casar-se de novo em cerimônia civil e ainda assim receber o sacramento da Comunhão, o que tem sido vedado pela Igreja há séculos.

Entre outras afirmações, o polêmico documento diz que “os batizados que se divorciaram e voltaram a casar civilmente devem ser mais integrados na comunidade cristã sob as diferentes formas possíveis” e, em uma nota de pé de página, acrescenta que “em certos casos poderá existir também a ajuda dos sacramentos”, pois a Eucaristia “não é um prêmio para os perfeitos, mas um alimento para os débeis”.

Publicidade
Publicidade

A carta dos cardeais, que tinha sido enviada reservadamente ao papa há dois meses, foi tornada pública pelo grupo na segunda-feira, dia 14 de novembro, pois o papa ainda não respondeu às questões postas diante dele pelos autores da carta, na qual eles diziam ter notado, devido às formulações doutrinárias do papa, “grave desorientação e grande confusão entre os fiéis”, e afirmavam ter enviado a missiva movidos por “uma profunda preocupação pastoral”. Nela, os cardeais (Walter Brandmüller, Joachim Meisner, Carlo Caffarra e Raymond Leo Burke) dirigiram cinco Dubia (do latim, “dúvidas”), perguntas formais a serem respondidas com um “sim” ou “não” para esclarecimento da doutrina ou da prática, ao papa. As perguntas têm por fim estabelecer se a exortação apostólica publicada no começo deste ano desvia-se dos ensinamentos da Bíblia e da doutrina da Igreja Católica.

Publicidade

A carta, datada de 19 de setembro, foi escrita depois do vazamento de uma missiva do papa aos bispos da região pastoral de Buenos Aires em que ele aprova efusivamente o documento Critérios Básicos para a implementação do capítulo VIII de Amoris Laetitia, obra destes bispos : “O documento é muito bom e especifica integralmente o significado do capítulo VIII de Amoris laetitia. Não há outras interpretações. Estou confiante que ele fará muito bem.” #heresia #Papa Francisco