No último dia 25 de novembro, dia dedicado ao tema #Violência de gênero, o blog feminista "El mundo da Alycia", reviveu o debate sobre o filme "Último Tango em Paris" nas redes sociais, só que dessa vez com um argumento a mais. O blog teve acesso, legendou e divulgou a entrevista - quase inédita - em que Bertolucci confessa que não pediu permissão a Maria Schneider para fazer a famosa cena da manteiga.

Atenção, começa aqui o TW (ou gatilho) para #Estupro e violência contra a mulher.

A "cena da manteiga" ficou conhecida como uma das cenas de sexo mais polêmicas da história do #Cinema, pois é a parte em que Paul (Marlon Brando) usa manteiga como lubrificante para estuprar Joannie (Maria Schneider).

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O estupro em si, foi falso, porém não estava no roteiro e a reação da atriz, com então 19 anos, foi completamente verdadeira. Ela não sabia que iria acontecer, seu choro e grito foram reais e, por anos, o mundo não acreditou na versão de Schneider, enquanto Marlon e Bertolucci foram até indicados ao Oscar, como melhor ator e melhor diretor.

Por isso a entrevista de 2013 foi tão chocante para muitos e uma confirmação para outros: finalmente, após 41 anos do lançamento do filme e só depois da morte de Maria, Bertolucci admitia que a cena de estupro falso, foi uma violação real.

Consequências por toda a vida

Infelizmente, após o lançamento do filme, a vida de Maria mudou para sempre. Ela, que sempre teve suas denúncias desacreditadas e uma vida de pouca repercussão, nunca se recuperou dos traumas que o filme lhe causou.

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Schneider chegou a participar de 48 filmes - entre eles O Passageiro - Profissão: Repórter (1975) -, e sua história foi marcada com entradas e saídas de clínicas de reabilitação, em decorrência do seu constante problema com drogas e diversas tentativas de suicídio, até morrer de câncer, aos 58 anos, em 2011. Tudo isso graças a ideia que Marlon e Bertolucci tiveram numa manhã das filmagens e que colocaram em prática sem o consentimento dela.

Em várias declarações, Maria conta que se soubesse, na época do filme, que não a poderiam obrigar a fazer uma cena fora do roteiro, ela teria chamado seu advogado, e que se sentiu estuprada tanto pelo Marlon, quanto pelo Bertolucci. E em entrevista ao jornal “Telegraph”, ela afirma que seu único arrependimento na vida foi ter participado do filme.

Justificativa

No vídeo, Bernardo explica o motivo de não ter contado à Schneider sobre a cena: "Eu não queria que Maria fingisse a sua humilhação. Eu queria que Mary se sentisse realmente violada, que não estivesse atuando, que seus gritos e choro pudessem transmitir ao espectador uma verdadeira sensação de raiva.

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Então [ela - Maria] tem me odiado por toda a vida", e ainda diz saber que nos tempos de hoje, sua conduta seria moralmente inadequada mas que não se arrepende e termina declarando: "Para fazer filmes, às vezes, temos que ser completamente frios."

A entrevista, embora tenha 3 anos, teve quase nenhuma repercussão midiática, exceto por alguns artigos que falam sobre filmes eróticos, e é um dos maiores exemplos de violência de gênero em que as mulheres são submetidas diariamente, sem ter qualquer consequência.