O que leva uma pessoa a tirar a própria vida? Essa é uma pergunta com múltiplas possibilidades, mas todas convergem a um único ponto: a certeza da impossibilidade de chegar no dia seguinte. Todos os casos de #Suicídio possuem pontos em comum, como o grande sofrimento psíquico de anula, na mente da pessoa, as chances de superar um problema ou um trauma.

Segundo a OMS, o Brasil figura em 8º lugar em número de suicídios no mundo; no total, acontece um suicídio a cada 40 segundos, e a prevenção ainda está longe de ser efetiva uma vez que não apenas o tema é #tabu, como o próprio sofrimento psíquico é alvo de desconfiança e preconceito.

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O caso da advogada Ariadne é um reflexo disso. A jovem - cujo suicídio está sob investigação - deixou uma carta de despedida no Facebook onde relatava como motivo de seu ato a tentativa desesperada de se livrar do assédio do ex-chefe. Como todo caso de acusação, é preciso que se verifiquem os fatos uma vez que nossa Constituição garante a presunção de inocência e o direito à ampla defesa.

O relato dela imediatamente provocou uma reação no sentido de deslegitimação da moça mediante a acusação de doença mental. É nesse ponto que a reflexão deve ser madura: é evidente que a moça estava em sofrimento psíquico, primeiro porque, partindo do pressuposto que seu relato é integralmente verdadeiro, nenhuma pessoa se manteria sã se estivesse na situação em que ela se encontrava. Também foram apontadas incoerências em seu relato como "prova" de que este seria mentiroso ou fruto de delírios, mas se ignora que uma pessoa em uma situação de desespero teria dificuldades de produzir um relato desprovido de caos.

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A transformação do sofrimento psíquico em um estigma negativo apenas contribui para o aumento do número de suicídios, como a situação de Ariadne, que sabia que seu estado de sofrimento renderia julgamentos contra ela, ignorando sua denúncia. Claro que o caso dela traz questões muito além de #Transtornos mentais, uma vez que envolve um homem poderoso que poderia desacredita-la em minutos - como de fato tem acontecido.

Pessoas levadas ao extremo em sua saúde mental sabem que serão postas em dúvida, que serão rotuladas e julgadas sem real direito à defesa, e veem no abandono da vida a única solução mediante o julgamento alheio. Na própria notícia da morte da jovem choveram diagnóstico de botequim simplesmente analisando o tom de desespero do relato, sem considerar nenhum outro aspecto. É exatamente esse tipo de atitude que faz com que outras pessoas cogitem a mesma ação dela, uma vez que a acusação de "loucura" tira do sujeito a autonomia sobre a própria história.

Uma pessoa que se encoraja a denunciar uma determinada situação de abuso - e não me refiro, nesse caso, especificamente à jovem em questão - ao receber insistentemente a acusação de loucura ou delírio, passa a duvidar de sua própria percepção e efetivamente acreditar-se louca ou delirante.

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Quando uma pessoa não encontra mais referências no mundo material, é muito fácil leva-la ao limite de sua sanidade.

Nenhum suicídio é cometido sem uma dose intensa de sofrimento. Isso vale tanto para o caso da jovem quanto da menina que não suportou o bullying, ou para o menino que não suportou a homofobia. Exemplos não faltam, uma vez que o suicídio é um problema de saúde pública, mesmo que ainda tabu.

Precisamos eliminar a psicofobia que impede muita gente em sofrimento de procurar ajuda com medo do estigma social, mas principalmente, precisamos debater o suicídio. É urgente.