Será que existe mesmo #Racismo no #Brasil ou foi uma invenção da esquerda para dividir o povo brasileiro? #mimimi, coitadismo, racismo reverso, vitimismo entre outros são termos e jargões utilizados por alguns setores conservadores para desqualificar demandas por igualdade real, material e por políticas compensatórias para a população negra (pretos e pardos), que correspondem a 52% da população brasileira.

Trabalho

Os dados levantados pelo IBGE na PME (Pesquisa Mensal de Emprego) revelam uma realidade bem diferente. Em 2015, os trabalhadores negros e pardos recebendo remunerações, em média, equivalentes a 59,2% do rendimento dos brancos.

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Assim, se um trabalhador branco ganha um salário de R$ 1.000,00, o negro perceberá um salário de R$ 592,00. Ainda assim, há uma melhora da proporção salarial em relação a 2003, quando os negros não ganhavam nem metade (48,4%) do salário dos brancos.

Se a desigualdade é clara na questão salarial, também o é quando o assunto é o desemprego. Pesquisa divulgada pelo DIEESE, Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, na última quinta-feira, dia 17 de novembro, revelou que a taxa média de desemprego na Região Metropolitana de São Paulo foi de 14,9% para negros, ante 12,0% dos não negros, em 2015. No caso das mulheres negras e sobe para 16,3% contra 12,8% das brancas.

A rotatividade no emprego é outro problema sendo de 41,3%, contra 30,5% dos não negros, no ano de 2014.

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Violência

No Brasil, cerca de 68,1% das vítimas de mortes violentas são negros, 24,9% são de brancos, 0,5% de outros e 6,5% de ignorados, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2014. Considerando que 46% da população brasileira é branca e 52% é negra, é nítida a desproporcionalidade no perfil das vítimas. No Rio de Janeiro, por exemplo, 77% dos mortos pela PM em "autos de resistência" são negros, segundo o ISP, Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro.

Outro dado alarmante sobre a questão racial no Brasil esta no perfil da população carcerária. Segundo dados do InfoPen, Sistema Integrado de Informação Penitenciária, no ano de 2012 haviam 292.242 negros encarcerados e 175.536 brancos, assim, 60,8% da população prisional era negra, tendo crescido em relação a 2005, quando o percentual era de 58,4%.

Educação

Enquanto os brancos tem em média 8 anos de escolaridade, entre a população negra cai para 6,3 anos em média, com base na média dos anos de estudo da população com 10 anos de idade ou mais do PNAD, de 2010.

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Um dado interessante é que na população branca o homem tem mais tempo de escolaridade que as mulheres, 8,1 contra 7,9 anos, mas na população negra as mulheres estudam mais, 6,5 anos contra 6,1 anos dos homens. A pesquisa aponta como possíveis casos para o abandono da escola a falta de perspectivas, a violência e a necessidade de contribuir com o sustento da família.

O topo da pirâmide

Foram eleitos 513 Deputados Federais em 2014, dos quais 80% são brancos contra 19% de negros. No Senado são 75% de brancos e 25% de negros. Já no STF, Supremo Tribunal Federal, todos os 11 ministros são brancos e o único negro da história recente da corte foi Joaquim Barbosa, que se aposentou em 2014. Nas demais cortes, a participação de negros é mínima.

Outro exemplo é o gabinete de ministros do governo Temer, o qual é composto por homens brancos.

No setor privado, das 20 maiores empresas do país, apenas um dirigente se considera pardo, Marcelo Odebrecht, que se encontra preso e afastado da empresa em razão do envolvimento em crimes da Lava Jato.

Triste realidade

Os dados são incontestes! Os negros são demitidos com mais frequência, recebem salários menores e tem maior dificuldade de obter um posto de trabalho. São as principais vítimas da violência e correspondem a maior parte da população carcerária. No "topo da piramide" do poder político e econômico também estão, em regra, ausentes.

Menos oportunidades e mais dificuldades... será mesmo que é apenas "mimimi"? Não! É o racismo de quem nega a realidade!