23 de novembro de 2016, Arena Condá, Chapecó, SC. Semifinal da Copa Sul-americana. O jogo contra o San Lourenço da argentina estava 0 x 0, placar que classificava a Chape para a grande final. Aos 48 minutos do segundo tempo o árbitro marca falta próximo a área da #Chapecoense. O San Lourenço levanta a bola na entrada da pequena área, um chute a queima roupa e o goleiro Danilo salva com o pé direito para o delírio de todos.

Fim de jogo, passaporte carimbado para a grande final, a final dos sonhos. A Arena Condá, lotada, explode de alegria, exalta seus guerreiros heróis que vão em busca do sonho de Chapecó. Era a primeira final de título internacional.

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No vestiário, assim como nas arquibancadas, aos gritos de “vamo, vamo Chapê”, os heróis comemoram o grande feito.

Malas prontas para a viagem à Colômbia; nelas os sonhos dos jogadores, de seus familiares, dos dirigentes, dos seus torcedores, dos jornalistas e de todos os brasileiros, que àquela altura eram Chapecoense desde pequeninos.

De Chapecó para a eternidade

28 de novembro de 2016. A delegação parte para a primeira batalha, o primeiro jogo da decisão contra o Atlético Nacional, de Medelín. De Chapecó voam para Guarulhos, depois para Bolívia onde pegaram um vôo fretado para Medelín, da Lamia, aviação boliviana.

Uma série de erros e atitudes suspeitas, que estão sendo investigadas e devem ser punidos com todo rigor, põem fim ao sonho.

Por volta de 22:30 horário local (01:30 no horário de Brasília) o avião cai próximo ao aeroporto de Medelín.

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71 pessoas morrem no #Acidente, entre jogadores, comissão técnica, dirigentes, convidados e jornalistas, além de membros da tripulação.

Quando acontece um acidente com essas proporções, a comoção mundial é sempre muito grande. Porém, quando envolve um time inteiro de #Futebol, a comoção é muito maior. Não que as vidas de jogadores sejam mais importantes, não é isso. O futebol é a grande paixão de milhões de pessoas; com isso, os jogadores e todos os envolvidos acabam entrando em nossas casas, em nossas vidas, acabam sendo nossos amigos íntimos. Falamos deles como se fossem nossos conhecidos de longa data. E realmente são. Acabam sendo nossos ídolos e para muitos um exemplo a ser seguido.

Qual criança não imitou, ou sonhou em ser o seu ídolo? Qual jovem não sonhou ser o grande goleiro que admira ou o goleador que idolatra? Quem, apaixonado por futebol, não imitou seu narrador preferido, ou não ficou esperando seu comentarista analisar o jogo que acabou de ouvir ou de assistir?

Pessoas que deram tantas alegrias e orgulho; agora, estavam sendo esperadas em nosso país para o último adeus.

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Eternos campeões

Nesse sábado, 3 de dezembro, o time da Chapecoense entra em campo pela última vez, não como nos jogos anteriores, aos gritos de alegria da torcida; desta vez entraram em caixões. A Arena Condá não esquecerá nunca este momento.

Todas as homenagens prestadas aos ídolos foram poucas, diante de todo orgulho que eles nos fizeram sentir.

Atitudes de grandeza mostraram que futebol não é apenas um jogo, onde o lucro é o principal. Atitudes como a do Nacional de Medelín, que enviou ofício à Conmebol pedindo para dar o título a Chapecoense; atitudes como as dos torcedores do mesmo Nacional que encheram o Estádio no dia que seria o jogo para homenagear os que se foram; e também de clubes e jogadores brasileiros que se recusam a jogar a última rodada do brasileirão.

De todas as frases ditas neste momento de comoção, talvez a mais marcante tenha sido a publicada no site do Nacional: “A Chapecoense veio à Colômbia em busca de um sonho e voltou como lenda”. Verdade, lendas nunca morrem.

A Chapecoense vai conseguir se reerguer? Provavelmente sim. Vai voltar a disputar um grande título? Talvez sim, talvez não. Mas nenhum outro time que a Chape venha a formar vai tirar esse título do time de 2016, “Eternos campeões”.

Força Chape, para sempre em nossos corações.