Conhecido por sua pregação enfática contra a corrupção, o pastor Silas Malafaia foi levado hoje (16) em condução coercitiva pela Polícia Federal (#PF). Ele é investigado pela Operação Timóteo, que apura corrupção envolvendo igrejas e empresas do setor mineral. A internet, um dos púlpitos favorito do religioso, não perdoou: às 12h29, horário de Brasília, o nome do pastor estava no topo dos trendings no Twitter.

Com memória boa e uma ajuda das redes sociais, internautas "desenterraram" tuítes de #Malafaia em março último, por ocasião da condução coercitiva do ex-presidente Lula pela PF. Na ocasião, #Lula não era réu em nenhum processo e já havia se posto à disposição da Justiça e do Ministério Público Federal (MPF) para esclarecimentos.

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Malafaia tuitou na época: "Só para lembrar > O juiz Sérgio Moro não cometeu nenhuma ilegalidade ao convocar, coercitivamente, lula para depor. Só falácia de petista".

Hoje, quando foi vítima da mesma ilegalidade que Lula (e que por isso não merece aplauso), o pastor escreveu: "É a tentativa para me desmoralizar na opinião pública. Não poderia ter sido convidado para depor? vergonhoso!".

Diz um dito popular mexicano: "Senta-te à porta da tua casa e verás passar o cadáver dos teus inimigos". O provérbio vem a calhar para a situação de hoje e nos lembrar: jamais devemos celebrar ilegalidades, ainda que elas atinjam nossos adversários políticos. Em regimes de democracia enfraquecida como no nosso, quando uma ilegalidade é praticada, é sinal de que, se não houver reação, ela poderá tornar-se regra e não a exceção.

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Não é demais lembrar o que aconteceu com Carlos Lacerda, o udenista que ajudou a dar o golpe militar de 1964 e depois foi vítima do regime, perdendo mandato e direitos políticos.

Por ocasião da condução coercitiva de Lula, as forças progressistas se levantaram contra e mostraram que a ação era ilegal. Muitos aplaudiram e hoje qualquer um, ainda que não tenha sido citado, pode ser levado em condução coercitiva, ainda que o nosso código penal estabeleça que o recurso só deve ser invocado quando o acusado se negar a se apresentar diante da autoridade competente.