A cobertura da tragédia com o voo da Chapecoense foi uma das coberturas mais humanas da história do #Jornalismo. Dias em que a informação foi apenas um complemento ao sentimento que vinha do mais íntimo lugar do coração de cada jornalista, seja dos que precisaram estar com o microfone na mão ou sentados em um estúdio na TV.

Uma tragédia sem precedentes que atingiu não só o mundo esportivo, mas também aqueles que detém a informação e são responsáveis por passá-las ao público. A morte dos 20 jornalistas foi como um punhal no coração dos profissionais, que por vários dias mal conseguiram segurar um microfone. Falar com lágrimas no rosto e com a voz embargada virou realidade, e principalmente humanidade, de profissionais que mostraram emoção ao vivo sem se preocupar, sem se segurar, muito mais do que informação, foram dias em que o coração precisou e conseguiu falar mais alto.

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Não somos programados para não chorar. Jornalistas, na maioria das vezes, parecem robôs, ligados num piloto automático da necessidade de informação, mas o coração deles está ali, eles choram, se machucam, sofrem, na maioria das vezes fazem isso quando o botão “stop” ou “power” da câmera são apertados. Dessa vez, porém, eles mostraram que são gente como qualquer gente. Que são espectadores como qualquer espectador. Que são humanos como qualquer humano.

Passaram de repórteres para fontes, de repórteres para personagens do fato, de repórteres para mero espectadores da história.

Choraram como se estivessem atrás das câmeras, sofreram como se estivessem no sofá ou no amigo travesseiro, se fizeram conhecer como poucos lhes conheciam e tiveram a humildade de dizer: “eu também posso chorar”.

E essa cobertura aproximou também a mídia dos seus espectadores, o público chorou quando um jornalista caiu em prantos ao vivo, torceu para que eles conseguissem se tornar um “super-homem” no ar e seguissem em frente ao dar a informação, mesmo que fosse necessário que alguém lhes enxugassem as lágrimas, como fez a mãe do goleiro Danilo, que perdeu o filho no acidente, e mesmo assim teve forças para consolar o repórter Guido Nunes do SporTV, que não se segurou ao lembrar de seus companheiros mortos.

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O dia em que o jornalismo chorou será uma marca dolorosa e eterna nessa profissão, mas que mostrou o quão humanos e fortes são esses profissionais, que mesmo chorando, se mantiveram de pé, informando, formando opinião. Um momento único e raro, onde toda regra, toda formação em faculdades, mestrados e doutorados ficaram em segundo plano e foram apenas detalhes diante de uma humanidade onde todos se tornaram um só, uma família junto com o público e os amigos que se foram. #Esporte #ForçaChape