Uma pesquisa publicada em novembro no Journal of Counseling Psychology revelou como o condicionamento imposto aos homens pode afetar diretamente a saúde mental, a qual ainda é agravada pela dificuldade que eles demonstram em procurar ajuda.

O debate sobre o feminismo sempre causa reações diversas e, inclusive, leva opositores a declararem seu #machismo com orgulho. Contudo, além do desconhecimento a respeito das demandas feministas, há uma dificuldade em se reconhecer o quanto o machismo é extremamente prejudicial também para os homens.

Quando Simone de Beauvoir diz que "ninguém nasce mulher, torna-se mulher", é possível trazer a analogia também para o #Gênero masculino e afirmar que ninguém nasce homem, torna-se homem, por meio de pressões exercidas para que sujeitos atendam às expectativas para que sejam "homens de verdade".

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As características esperadas de um homem vão sendo construídas e internalizadas pelos indivíduos desde o nascimento - quem nunca ouviu um parente dizer que o bebê recém nascido era "bem dotado" e/ou se tornaria um conquistador? Os brinquedos dados aos meninos são bastante diferentes daqueles considerados adequados para meninas e, não raro, envolvem algum tipo de comportamento violento (no caso de armas ou figuras de ação que têm armas como acessórios, por exemplo).

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Indiana, analisou os resultados de 78 pesquisas realizadas ao longo de 10 anos (entre 2003 e 2013), levantando uma série de características que a sociedade associa ao comportamento masculino, dentre elas o controle emocional, a atratividade, a tendência a ser violento, autoconfiança, poder sobre as mulheres, capacidade de exercer domínio, competitividade, priorização do trabalho, tomada de riscos, bem como o desprezo por homossexuais e promiscuidade pessoal (agir como "playboy").

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Em termos gerais, foi observado que homens que se atêm a essas expectativas e procuram sempre estar de acordo com o que a sociedade espera de uma masculinidade tradicional estão mais sujeitos a sofrer de problemas como depressão, estresse, transtornos de auto-imagem, abuso de substâncias ou de agir negativamente dentro da sociedade. Esses efeitos se mostraram especialmente presentes entre homens que dão maior ênfase à autoconfiança, a se comportarem como "playboys" e a exercer poder sobre mulheres.

Um fato preocupante em relação a como a imposição de uma masculinidade ideal é reforçada está na descoberta de que não apenas os indivíduos mais apegados a esses "valores" são os mais propensos a ter a saúde mental afetada, mas são também os que mais se recusam a procurar ajuda - uma vez que as noções de autossuficiência, independência e controle emocional fazem parte do que se espera dos "homens de verdade".