Não é preciso ser especialista em política, economia ou psicologia para afirmar, sob vários aspectos, que o ano de dois mil e dezesseis, sobretudo no Brasil, foi bastante agitado. Convém lembrar aqui que “agitação” não significa “movimento natural”, mas aspectos ideológicos de um processo ainda maior: o conservadorismo de instituições caducas.

O que a maioria dos cidadãos brasileiros espera de todas essas agitações? Que modifiquem o trato com a coisa pública, com as instituições, com a política, com a justiça, com a educação, com a religião; que nos aproximem dos outros homens, que enriqueçam o nosso universo de valores; que não percamos a #Esperança, que sejamos utópicos, enfim, que desejemos o impossível.

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Desse modo, a maioria do povo brasileiro tem esperança em dias melhores, pois aqui, em solo pátrio, encontram-se os meios necessários, sejam naturais ou culturais, para o sustento de uma nação que está destinada ao sucesso técnico, tecnológico e humano. Isto significa dizer que, quando não há maneira alguma de atribuir um sentido, por mais “decepcionado” que o povo esteja, quando a sociedade não tem mais valor algum para propor, então, e ainda, é possível tirar uma conclusão: o #Brasil ainda tem jeito.

Por outro lado, e em comunhão com outros povos e nações, existe a consciência de que, na medida em que as condições materiais de vida foram aumentando, os seres humanos foram ficando cada vez mais egoístas. Achando-se superiores a tudo e a todos, os homens foram construindo castelos de areia.

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Como consequência natural, o mundo atual tornou-se um parque temático de egos. Ou seja, o homem contemporâneo tornou-se objeto de si mesmo. Narcisista, foi perdendo a capacidade de solidariedade. Indiferente, o ser humano tornou-se inimigo de si mesmo e a guerra de todos contra todos parece reinar absoluta.

Para superar as grandes epidemias contemporâneas da indiferença e do narcisismo, que destroem a capacidade de termos afeto verdadeiro com os outros, devemos ultrapassar todo o tipo de instrumentalização da pessoa humana. O ser humano não é objeto, e sim sujeito. Enquanto sujeito, o ser humano precisa construir novas pontes a partir de valores universais como a igualdade, a fraternidade e a liberdade. Somente assim, dono de sua própria história, agirá como ser finito, mas que aspira ao infinito.

Enfim, Paulo Freire tem razão: “é preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera. Esperançar é se levantar, esperançar é ir atrás, esperançar é construir, esperançar é não desistir! Esperançar é levar adiante, esperançar é juntar-se com outros para fazer de outro modo...”.

Esta riqueza íntima que confere liberdade de ação, não de repetição, mas de superabundância, de criação, de arte, de prazer, de gozo, é o que esperamos todos os dias, e para o ano de 2017, como algo que nos ultrapassa. #Sociedade