Se for verdade que o ser humano é, desde as suas origens, movimento para os outros, um ser social, é verdade também que, sob outro aspecto, nos surge caracterizado, em oposição às coisas, como ser interrogante. Desse modo, a pergunta “Quem sou eu?” constitui-se numa questão filosófica séria e o “Conhece-te a ti mesmo”, de Sócrates, é uma pista irrefutável para uma possível resposta. Por outro lado, pode-se perguntar: é possível o ser humano conhecer a si mesmo? Para alguns filósofos, é impossível, pois tudo que sabemos sobre nós mesmos são apenas aparências, atributos e não a essência, o verdadeiro ser. O que a #Filosofia tem a nos dizer sobre esta aporia?

O filósofo Heráclito de Éfeso (545-485) considerava a natureza, isto é, o mundo, à realidade, como um “fluxo perpétuo” e o escoamento contínuo dos seres em mudança constante.

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Para ele, não podemos banhar-nos duas vezes no mesmo rio, porque as águas nunca são as mesmas e nós nunca somos os mesmos. Ou seja, a única coisa que existe é a mudança e, consequentemente, a única coisa que fica é o que muda. Ora, se tudo está mudando continuamente, nada permanece o mesmo, como é possível conhecer o que muda?

Outro filósofo pré-socrático chamado de Parmênides (540-470) colocava-se na posição contrária à de Heráclito. Ele dizia que só podemos pensar sobre aquilo que permanece sempre idêntico a si mesmo, isto é, que o pensamento não pode pensar sobre as coisas que são e não são, ou seja, que ora são de um modo e ora são de outro, que são contrárias a si mesmas e contraditórias. Se não podemos conhecer o que muda constantemente e não gostamos do que permanece sempre o mesmo, como nos posicionarmos diante desta questão?

Sócrates (470-399), “pai” da Filosofia e Ética ocidental, afirmava que devemos conhecer a nós mesmos.

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A inscrição “Conhece-te a ti mesmo", cunhada no templo de Delfos, é uma frase de introspecção que Sócrates tomou para si como princípio da sabedoria. Em outras palavras, significa que devemos fazer uma observação da nossa vida interior, sabermos quem somos, para em seguida avaliarmos o que nos cerca. O #Autoconhecimento é uma sugestão de Sócrates para que façamos um exame dos nossos próprios pensamentos e sentimentos, para perceber o quão ignorante somos, o quão ainda temos que aprender. É uma filosofia positiva, que ajuda no combate das aflições da vida atual, seja pessoal ou profissional.

Em suma, a filosofia nos ensina que o autoconhecimento é uma conquista interior. Que a pluralidade, seja ela cultural, biológica, religiosa, sexual, é sinal de inteligência e longevidade. Que a admiração pela vida, pela existência, pelo trabalho, pela família, pela coisa pública, enfim, pela justiça é o único caminho para nos tornamos verdadeiros cidadãos. #Cidadania