“Humano, demasiado humano” foi um livro escrito por Friedrich Nietzsche em 1878. “Humano Demais” é um livro escrito por Rodrigo Alvarez, em 2016. Além dos anos que separam seus autores, o primeiro era filósofo e o segundo é repórter. Com profissões e cultura totalmente diferentes, o que há de comum entre essas duas obras? Existe algum ponto de encontro entre elas?

O livro de Nietzsche é filosófico, carregado de frases que suportam múltiplas interpretações e que encerram complexas lições, tanto morais como educacionais, científicas e até religiosas. “Humano Demais” é um livro biográfico e também filosófico. Narra a trajetória da vida do religioso mais famoso do Brasil: Padre Fábio de Melo.

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Na leitura do primeiro livro, dada às características culturais da época, o autor destaca temas atuais como preconceito, liberdade, política, poder, entre outros. Na leitura do segundo livro, por tratar de uma biografia, o leitor encontra, logo nas primeiras páginas, temas como: motivação, trabalho e, claro, #Humanidade. Muita humanidade!

Observa-se, na leitura de ambas as obras, que a “humanidade” é uma categoria filosófica que merece ser ressaltada sob pena de a sociedade voltar ao estado da barbárie, ou seja, da guerra de todos contra todos. Esta aquisição, ainda que tardia, oferece o parâmetro adequado para compreender a experiência humana na atualidade.

Dado que a sociedade atual, definida por filósofos e sociólogos como líquida e fugaz, desenvolve atitudes centradas em princípios éticos e morais.

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Pode ser o começo da construção de relações humanas mais sólidas. A concepção filosófica dessas obras apresenta a condição para entender a dinâmica transcendente da existência humana.

Ao ler “Humano, demasiado humano” entendemos porque #Padre Fábio de Melo é “Humano Demais”. Ao mesmo tempo em que lemos “Humano Demais” compreendemos porque Friedrich Nietzsche é “Humano, demasiado humano”. Isto significa dizer que o progressivo intercâmbio com o outro, em última análise, acaba revelando o mergulho de nossa humanidade.

Fica evidente, na leitura desses #Livros, o infinito como extrapolação da humanidade; a ideia da verdade na presença da existência do rosto do outro; que o ser humano só é verdadeiramente humano em comunhão e respeito com o outro humano; que não existe humanidade sem ser humano; enfim, que a existência de cada um só ganha sentido quando em união com todas as outras existências.