O fim do ano letivo está aí, e é preciso pensar... Que mais, mas muito mais do que falar, é necessário clamar por uma real educação transformadora neste país varonil que não rima com mãe gentil.

Mas, será que é possível?

No Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos) divulgado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) o Brasil aparece na 65ª posição dos 71 países avaliados na mais importante pesquisa sobre educação básica no mundo.

No Relatório sobre o Capital Humano, o país está em 83º entre os 130 participantes. Segundo a consultoria britânica Economist Intelligence Unit (EIU) para a Pearson (empresa que produz e vende sistemas de aprendizado), a situação não foi diferente, e dos 40 países com potencial econômico, restou ao Brasil penúltima colocação.

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Outro exemplo foram os dados do IBGE para a SIS (Síntese de Indicadores Sociais), a qual aponta 22,5% de jovens que não estudam e nem trabalham. Já o Instituto Pró-Leitor, com o apoio do IBOPE, identificou 56% de leitores, sendo a Bíblia a publicação mais lida, seguida por livros religiosos de diversas vertentes e 44% que não têm o hábito de ler.

A análise do INF (Indicador de Alfabetismo Funcional) pelo Instituto Paulo Montenegro e a ONG Ação Educativa, com o auxílio do IBOPE, registrou que o desenvolvimento pessoal e social do brasileiro, como sua capacidade de participação ativa nas esferas de projeção futura, estão comprometidos.

Infelizmente, não há novidades nos índices, visto que o panorama não é só preocupante, mas de extrema urgência. E como o perigo mora no desalento lançado à própria sorte...

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Os estudantes deste país não podem ser violados em seus direitos garantidos e muito menos coagidos por lutarem por eles, já que são os mais afetados. Tal flagelo alça patamares outros, sequer imaginados, vindo à tona a espantosa desigualdade social, de gênero e racial. E como a maioria dos jovens são pobres e negros, acabam renegados à margem da sombra do Sol que deveria raiar para todos.

E, se pautado o mercado de trabalho, não é diferente, pois este seleciona de forma a mascarar o que insistem em dissimular. E salve-se quem puder na ode de alfas e betas alfabetizados e funcionais. E a tal educação transformadora fica no salva-se mesmo. Ou no, salve-se das letras da dilacerada violência, sobretudo, nas periferias; porque se for no campo minado do Estado, a famigerada merenda, a medida provisória, a emenda à Constituição, os professores dissonantes da tênue linha e os corpos lúcidos represados só sacramentam a indiferença da palavra.

E como os que deveriam “proteger”, só fazem tirar proveito e direitos, vê-se a omissão unida ao julgo de uma parte da sociedade iludida que atônita assiste à morte de um aluno por outro, na escola da Santa Felicidade.

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Vê a insanidade da intolerância no pai que tira a vida do próprio filho e se mata. Olha a Severina que sonha com um futuro melhor ao ler seu primeiro livro, nos sertões dos sertões em que energia elétrica e abastecimento de água são luxo, e contemplam o João que não é estudante da escola, mas da vida, que no sono da bala perdida é mais um entre milhões.

Em meio a todo esse desdém, uma estudante deu aula na Assembleia Legislativa do Paraná, em defesa do movimento de ocupações. Ana Júlia, em uma de suas falas, disse: “O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) nos diz que a responsabilidade pelos nossos adolescentes e pelos nossos estudantes é da sociedade, da família e do Estado”. Com a lição dada aos excelentíssimos, o conteúdo ecoa ao desafio do é possível.

E o que é para ontem e para sempre, adoece, fica senil, cai no descaso do padecimento. Há inúmeros exemplos espalhados por este país que não é florão, nem ostenta lábaro, que uma real educação transformadora é possível. Então, é necessário cantar à cotovia, ao rouxinol e à sabiá para que um dia, em voo, a utopia faça luz. #Cidadania