Quando um amigo me mostrou os primeiros minutos de 3% que havia no Youtube, há quase dois anos, fiquei triste por não ter nada além daquilo. Queria mais. Quando a #Netflix anunciou que essa seria a primeira série original deles no Brasil, nossa, fiquei muito animada. Tanto pela Netflix começar a produzir conteúdo aqui, quanto por saber que iria assistir, finalmente, a história inteira. Pensei: "Nossa! Arrasou! Vai ficar incrível". Ficou incrível? Não.

A premissa é a seguinte: num futuro devastado pela miséria, aos 20 anos, as pessoas têm a chance única de participar da seleção conhecida como "O Processo". A dificílima, quase impossível, disputa de jogos de mesa, tabuleiro, e tarefas no estilo gincana da escola, premia apenas 3% dos concorrentes com uma vaga à única sociedade maravilhosa de Maralto, onde tudo é perfeito, branco, com cheiro de aromatizante de bambu e Veja lavanda.

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O restante da população vive no "Continente", na miséria, na sujeira, obrigados a vestirem pra sempre os looks da sessão ginástica das Lojas Renner, no meio do lixo, refém da pequena dessa elite de Maralto. O mundo digno é exclusivo às pessoas mais "merecedoras". Esse é o pano de fundo do roteiro. Nada convence. As atuações são terríveis. Alguns tem pequenos bons momentos, mas eu entendo que algumas falas não tem como serem ditas sem soar ridículo porque elas são cafonas, não tem como levar a sério. Mas também há bons textos que são desperdiçados por interpretações forçadas. Outra coisa muito forçada é a caracterização e o figurino. Não convence nem a sujeira, nem as roupas, nem nada.

As melhores e únicas coisas que se salvam: a fotografia e a edição que são excelentes, com ressalva só pra uns zoons que são usados meio fora do contexto, acaba remetendo um pouco aquela série "Supermax" que é uma das maiores palhaçadas que já assisti feita pela Globo.

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E a trilha sonora, também é de boa. E de pior temos... tudo que sobra. Aiai Brasil, não foi dessa vez. Eu fico feliz que a produção nacional comece a se aventurar em outros gêneros, isso é maravilhoso, espero que continuemos até encontrarmos o ponto certo, mas não foi dessa vez.

O que era pra ser uma série de ficção científica, futurística, dramática e, sobretudo, uma crítica política, parece mais a versão novela da Record de "Jogos Vorazes". Meus parabéns para quem conseguiu passar do primeiro episódio, vocês devem fazer parte de um seleto grupo de espectadores que gostaram da série, provavelmente um grupo de menor do que 3%. #Seriados