A década de 70 no Brasil foi conturbada e efervescente. Preocupante mas, por quê não, também contagiante? Enquanto a ditadura militar se enraizava nas sombras, calando aqueles que ousavam acreditar em democracia e liberdade, uma massa frenética comemorava a conquista do tricampeonato mundial, ao som de “Pra frente Brasil”. Que contradição lembrar a década de 70, “amarrada” pela ditadura, mas contagiante pelos seus movimentos e conquistas!

Enquanto a TV em cores se espalhava pelos lares brasileiros, o rock se consagrava definitivamente e o punk rock explodia no mundo com canções que abordavam ideias políticas anarquistas, niilistas e revolucionárias.

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Ah, década de 70! Década da utopia, dos hippies que se mostravam ao mundo, da febre das discotecas ao som de “Os embalos de sábado à noite”.

Década também em que surgiram e/ou se consolidaram grandes nomes da música brasileira como Elis Regina, Chico Buarque de Holanda, Edu Lobo e Vinícius de Moraes, entre outros, que encabeçavam um movimento chamado MPB. E que herança deixada também pelos tropicalistas Maria Bethânia, Gilberto Gil, Gal Costa e Caetano Veloso.

A ditadura, no entanto, dividia a arte. Enquanto os talentos da MPB e Tropicália contestavam o poder militar, os jovens do “ie ie ie” questionavam os costumes sociais.

Jovem Guarda, Raul Seixas e Jerry Adriani

Surgido na década de 60, a #Jovem Guarda era um movimento que mesclava música, comportamento e moda. Nos anos 70, seus astros encabeçavam as paradas de sucesso.

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Entre eles, o jovem Jair Alves de Sousa que, a partir de 1964, se transformaria em #Jerry Adriani. O primeiro LP, “O Italianinho”, preparava o caminho do cantor que “estourou” nas paradas em 1965 com o disco "Um Grande Amor", que lhe garantiu lugar reservado ao lado de Roberto, Erasmo Carlos, Wanderléa, Wanderley Cardoso, entre tantos outros.

Época de cantar liberdade, mas também de se cantar amor e de “ousar” com os decotes, minissaias e os “endiabrados” biquínis que ganhavam as praias brasileiras. Época ainda em que os fãs clubes histéricos se digladiavam por seus ídolos famosos. Em meio a todo esse burburinho, surgia um nome que se transformaria em mito: #Raul Seixas, que cantava e vivia literalmente sua metamorfose ambulante.

O que pouca gente sabe e que a imprensa começa a relevar agora, é a relação entre o jovem Jerry e Raulzito (para os íntimos). Como o próprio Jerry, com humildade, falou em entrevista exclusiva (que você assiste abaixo), o “fenômeno Raul Seixas” aconteceria a qualquer momento no Brasil, mas coube ao jovem “italianinho” ser a ponte entre Raulzito e Raul Seixas, que assombrou o cenário musical brasileiro.

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Livro e álbum com músicas de Raul Seixas

Todo esse cenário musical será desvendado em parte até o final do ano, pelas lembranças de Jerry Adriani, que completou 70 anos de idade neste 29 de janeiro com muitas comemorações. A autobiografia do cantor está sendo finalizada com a ajuda do produtor e pesquisador Marcelo Fróes. Outra boa notícia é o lançamento, segundo Jerry, ainda este ano, de um disco com 15 músicas feitas por Raul entre 1967 e 1971.

Jerry é pura emoção e alegria ao falar de sua carreira, suas aventuras, conquistas e amizades. A cortina que desvenda a transformação de Raulzito em Raul Seixas certamente será desvendada pelo amigo que venceu as barreiras do tempo e é hoje ainda aclamado como uma das grandes vozes do Brasil. Por onde passa, Jerry atrai carinho e afagos. Um verdadeiro astro sustentado pela voz e pelo jeito carismático de ser.