Teori Zavascki, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), estava em avião que caiu ontem em Paraty, RJ, a caminho de Angra dos Reis, e não sobreviveu ao acidente. O ocorrido levanta suspeitas pelo contexto em que se deu, além de estar rodeado por declarações para as quais precisamos nos atentar.

Em maio de 2016, o filho de Teori, Francisco Prehn Zavascki, publicou nas redes sociais sobre a possibilidade de "algo" acontecer à sua família, indicando ameaças que estariam sofrendo, confirmadas pelo próprio ministro, que declarou não se tratar de nada sério.

Também em maio, houve o vazamento de uma conversa entre Romero Jucá e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

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Em determinado momento, Jucá fala especificamente sobre a intransigência de Zavascki, que descreveu como "um cara fechado".

Teori Zavascki atuava como relator da Operação #Lava Jato no STF, tendo o poder de aceitar acordos e homologar delações envolvendo aqueles com foro privilegiado suspeitos de participar em esquemas de #Corrupção. No ano passado, o ministro homologou justamente a delação de Sérgio Machado, que apontava diversos políticos, dentre eles o próprio presidente Temer.

No dia 17 de janeiro, terça-feira, Zavascki determinou diligências iniciais para acordos de delações que seriam feitas por 77 executivos da Odebrecht e que revelariam cerca de 900 relações criminosas. Desses documentos, recebidos em dezembro, ele havia despachado 10 e estava analisando os demais. As audiências com os delatores para homologação das denúncias estavam previstas para começar hoje, 20 de janeiro e o ministro havia ainda declarado que anunciaria suas decisões em fevereiro, além de revelar o conteúdo das delações.

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Diante dos fatos, dois outros comentários emergiram. O primeiro foi feito pelo senador José Medeiros, do PSD, em seu perfil do Facebook, afirmando, ontem, quinta-feira, que o Jornal Nacional traria uma "bomba de forte impacto" para o país envolvendo o STF. O segundo, feito pelo advogado Adriano Argolo no Twitter, era um aviso de que a delação da Odebrecht iria "gerar assassinatos".

Sem provas que confirmem as teorias sobre a queda do avião em que Zavascki estava com outras quatro pessoas, a imprensa trata do caso como acidente - e assim o deve ser até que se comprove o contrário. Contudo, a série de coincidências em torno do que aconteceu nos leva a questionar se não haveria algo a mais por trás dos fatos.

Com a morte do ministro, Michel Temer deve nomear um novo relator da Lava Jato no STF, que se tornará responsável pela decisão de homologar ou até mesmo vetar os acordos de delação com a Odebrecht - aqui, fica impossível não se lembrar de outro comentário feito por Jucá a Machado, o de que era preciso "estancar essa sangria". #Opinião